No último domingo (27), o paulista Paulo Roberto de Paula fez história ao se tornar o primeiro sul-americano a completar a maratona de Berlim, alcançando a 30ª posição geral com um tempo de 2:12:07. Essa conquista não é apenas um marco pessoal, mas também um reflexo da persistência e resiliência de um atleta que, aos 47 anos, continua a desafiar as expectativas em um esporte que muitas vezes marginaliza os mais velhos. Berlim, conhecida como a meca das maratonas, é famosa por ser o palco de recordes mundiais, com 13 marcas quebradas ao longo dos anos. O brasileiro Ronaldo da Costa, por exemplo, estabeleceu um recorde que perdurou por uma década. Apesar da ausência de grandes nomes como o queniano Tião Sawe e o etíope Yomif Kejelcha, a expectativa para a prova deste ano era alta, especialmente entre os corredores que buscam superar seus limites e deixar sua marca.
A performance de Paulo é ainda mais impressionante considerando as dificuldades que enfrenta fora das pistas. Sem apoio financeiro significativo, ele depende de doações de amigos e familiares para cobrir os custos de suas viagens e competições. Em um relato anterior, Paulo mencionou que, para correr, ele precisa rachar hotel com desconhecidos e até mesmo andar longas distâncias para chegar ao ponto de largada. O tênis que usou na maratona, um Asics, foi um presente de um amigo, já que a marca não o apoia mais. A trajetória de Paulo de Paula é um testemunho da luta de muitos atletas brasileiros que, apesar das adversidades, continuam a perseguir seus sonhos. Ele critica abertamente os dirigentes do atletismo nacional, chamando-os de “vagabundos” por não oferecerem o suporte necessário aos atletas que se destacam. Sua determinação e paixão pelo esporte são inegáveis, e sua história deve servir de inspiração para todos que acreditam na força do trabalho duro e da perseverança. Enquanto o mundo do atletismo continua a evoluir, é essencial que histórias como a de Paulo sejam ouvidas e reconhecidas. A maratona de Berlim não foi apenas uma corrida para ele; foi uma afirmação de que, independentemente da idade, a paixão e a dedicação podem levar a conquistas extraordinárias. Com isso, Paulo não apenas se destaca como um atleta, mas também como um símbolo de esperança e resistência para muitos que sonham em fazer a diferença no esporte.



