O ex-vereador Milton Leite, uma figura proeminente na política de São Paulo, foi alvo de um mandado de prisão emitido pela Justiça na última quinta-feira (17). No entanto, ele não foi encontrado em sua residência, gerando especulações sobre seu paradeiro. Em nota, Leite afirmou que não está foragido, mas sim em viagem, prometendo se apresentar às autoridades em até 24 horas. Ele também negou as acusações de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), que teriam ocorrido por meio de suas empresas de ônibus.
Durante depoimentos no Tribunal de Justiça Militar, policiais militares o identificaram como o “dono de fato” de uma das concessionárias de ônibus que teve seu contrato cancelado devido a alegações de lavagem de dinheiro. “Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações”, declarou Leite em sua nota.
As investigações revelam que mais da metade das empresas do setor de transporte público em São Paulo estaria comprometida com práticas ilícitas. Milton Leite, atual presidente do União Brasil em São Paulo, é um político de longa data, conhecido por sua influência na Zona Sul da capital, especialmente no Grajaú e arredores, onde construiu sua base eleitoral ao longo de 27 anos de mandato.
Natural de Piraporinha, Leite ocupou a Câmara Municipal por mais de 27 anos, entre 1997 e 2024. Em 2024, ele optou por não concorrer a novas eleições, mas continuou a atuar como cabo eleitoral do prefeito Ricardo Nunes. Em junho de 2025, recebeu o Colar de Honra ao Mérito Legislativo da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) por seu trabalho em áreas como preservação de mananciais e desenvolvimento urbano.
Sua trajetória política começou em 1990, quando se filiou ao PCB, e depois ao MDB, partido pelo qual iniciou seus mandatos. Em 2008, migrou para o DEM, que mais tarde se tornaria o União Brasil. Leite foi reeleito para a Câmara Municipal por seis vezes consecutivas, destacando-se nas eleições de 2016 e 2020, quando foi o segundo vereador mais votado de São Paulo.
Além de presidir a Câmara Municipal em diversas gestões, Leite exerceu interinamente o cargo de prefeito por cerca de 100 dias, tornando-se o vereador que mais tempo ocupou o Executivo nessa condição. Ele também teve um papel fundamental nas campanhas eleitorais de João Doria e Ricardo Nunes.
Após anunciar sua aposentadoria da vida pública eletiva em 2024, Leite manteve sua influência ao continuar presidindo o diretório estadual do União Brasil e a Federação União Progressista em São Paulo, além de apoiar candidatos em seu reduto eleitoral. Sua família também está envolvida na política, com seu filho, Milton Leite Filho, atuando como deputado estadual e outros aliados ocupando cargos importantes.
As recentes acusações contra Milton Leite levantam questões sobre a corrupção no setor de transporte público em São Paulo e a necessidade de uma investigação mais aprofundada sobre as ligações entre políticos e organizações criminosas. A situação continua a se desenrolar, e muitos aguardam o desfecho dessa história, que pode impactar significativamente a política local.



