O colapso de uma montanha na fronteira entre o Nepal e a China, que resultou na morte de mais de 1.300 pessoas e deixou cerca de 6.000 desaparecidos em agosto, foi causado por uma combinação de eventos climáticos e geológicos, com o aquecimento global intensificando a maioria deles. Essa é a conclusão da primeira análise científica a investigar o desastre, publicada recentemente pelo WWA (World Weather Attribution). No dia 26 de agosto, parte da geleira e rochas da montanha Langtang Lirung se desprenderam, provocando uma inundação no vale do rio Lendi que devastou comunidades locais. Walter Immerzeel, professor da Universidade de Utrecht e um dos autores do estudo, destaca que não houve um único fator que desencadeou o desastre, mas sim uma série de processos atuando em conjunto ao longo de anos e até décadas. A falha ocorreu a uma altitude de aproximadamente 5.150 metros, e a complexidade do evento torna a atribuição climática direta um desafio. “É crucial entender que a interação de diversos fatores climáticos e geológicos contribuiu para a tragédia”, afirma Immerzeel. O estudo, que envolveu especialistas em glaciologia e regiões montanhosas, buscou identificar os fatores que levaram ao colapso e o papel das mudanças climáticas nesse contexto. A pesquisa revelou que o aquecimento atmosférico, resultado da queima de combustíveis fósseis, elevou a temperatura média da região, derretendo geleiras e aumentando a linha de congelamento em cerca de 100 metros por década. Além do recuo da geleira, que foi estimado em 300 metros entre 2010 e 2026, o degelo do permafrost, solo congelado, tornou as paredes das montanhas instáveis. Immerzeel explica que o deslizamento ocorreu em uma zona de transição onde o permafrost é particularmente sensível ao aquecimento, reduzindo a resistência das rochas e permitindo que mais água infiltrasse nas encostas. Durante os meses de julho e agosto, a temperatura na região atingiu níveis recordes, com médias próximas a 5°C, o que não ocorria há 55 anos. O WWA estimou que a região experimentou um aquecimento de cerca de 1,5°C em comparação com períodos anteriores, o que contribuiu para a intensidade do evento. O estudo destaca a necessidade urgente de abordar as questões climáticas para prevenir desastres futuros. Com a crescente frequência e intensidade de eventos extremos, a comunidade científica alerta para a importância de medidas eficazes de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, a fim de proteger vidas e comunidades vulneráveis em regiões montanhosas como o Nepal.




