Post: TCU alerta governo sobre riscos na previsão de receitas com taxação de dividendos

TCU recomenda alerta ao governo sobre riscos na previsão de receitas com taxação de dividendos, que ficou em apenas 5% no primeiro semestre.
TCU alerta governo sobre riscos na previsão de receitas com taxação de dividendos

A área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou que o governo Lula seja alertado sobre os riscos de manter a previsão integral de arrecadação com a taxação de dividendos no Orçamento. No primeiro semestre, a arrecadação ficou em apenas 5% do total estimado para o ano, o que levanta preocupações sobre a viabilidade dessa projeção.

Os técnicos do TCU afirmam que a manutenção de uma receita que ainda não se concretizou pode criar uma expectativa fiscal mais otimista do que a realidade, permitindo ao governo sustentar uma previsão de superávit superior a R$ 10 bilhões. Essa situação evita o congelamento de recursos, mas pode levar a uma superestimação das receitas.

A taxação dos dividendos foi implementada como uma forma de compensar a isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para quem ganha até R$ 5.000, uma promessa de campanha de Lula. Para o ano de 2026, o custo desse benefício está estimado em R$ 28 bilhões, segundo cálculos do Fisco.

Em um parecer obtido pela Folha, os auditores do TCU destacam que a previsão de arrecadar R$ 28 bilhões para 2026, considerando que até julho foram arrecadados apenas R$ 3,15 bilhões, aumenta o risco de superestimação das receitas. Isso pode impactar a avaliação da necessidade de congelamento de despesas.

A proposta de alertar a equipe econômica será analisada pelo relator do processo, ministro Antonio Anastasia, na próxima quarta-feira (16). A Lei de Responsabilidade Fiscal prevê que esse tipo de medida tenha um caráter preventivo em relação a riscos para o cumprimento da meta fiscal, mas não implica em punição ao governo nem determina automaticamente o contingenciamento de despesas.

No último relatório bimestral de receitas e despesas, divulgado em julho, o governo indicou que ainda esperava arrecadar mais R$ 14 bilhões entre agosto e dezembro com a taxação dos dividendos, mesmo com a arrecadação dos primeiros seis meses representando apenas 5% do total esperado.

Na próxima semana, o governo deve divulgar um novo relatório com as projeções do Orçamento para o ano. Ao ser questionada sobre a possibilidade de revisar a projeção para baixo, a Fazenda limitou-se a afirmar que os ajustes no orçamento serão anunciados “no momento oportuno” no próximo relatório bimestral.

Os técnicos do TCU também sinalizaram preocupações sobre a velocidade necessária para cumprir a projeção atual. Para que o governo arrecade os R$ 14 bilhões entre agosto e dezembro, as receitas teriam que aumentar significativamente, o que levanta incertezas sobre a capacidade de atingir essa meta.

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