A recente euforia do mercado com as ações de empresas ligadas à inteligência artificial (IA) está começando a mostrar sinais de vulnerabilidade, conforme apontou o Banco de Compensações Internacionais (BIS) em um relatório divulgado nesta segunda-feira (14). A alta dos mercados, que se intensificou nos últimos dois anos, agora enfrenta uma crescente cautela por parte dos investidores, especialmente em relação à rentabilidade futura dos investimentos no setor. Frank Smets, chefe de análise econômica do BIS, destacou que o ímpeto que impulsionou os mercados acionários e ajudou na resiliência da economia global no último ano está se mostrando cada vez mais frágil. “Os investidores estão se tornando cada vez mais cautelosos”, afirmou Smets, referindo-se ao aumento da alavancagem das principais empresas de tecnologia dos Estados Unidos. As ações de empresas de IA sofreram uma queda significativa nesta segunda-feira, após alertas de executivos de grandes empresas do setor sobre a necessidade de desacelerar o ritmo de desenvolvimento da tecnologia para evitar potenciais ameaças à humanidade. O relatório do BIS também ressaltou um cenário global incerto, com pressões sobre as finanças públicas exacerbadas por tensões geopolíticas e volatilidade nos preços da energia. Além disso, o BIS alertou que a dívida acumulada por empresas de IA, que já soma centenas de bilhões de dólares, pode estar elevando os custos de financiamento no mercado de títulos públicos. Essa situação é preocupante, pois se relaciona à fragilidade fiscal que acompanha a incerteza econômica global. Apesar das dificuldades, Smets observou que não há sinais de tensão generalizada e que o apetite de risco dos investidores permanece “notavelmente resiliente”. O BIS, conhecido como o “banco central dos bancos centrais”, tem emitido alertas sobre os níveis globais de endividamento e possíveis bolhas no mercado de ações nos últimos anos. “A resiliência dos mercados poderá ser sustentada, mas a continuidade das pressões sobre os rendimentos ainda é uma incógnita”, avaliou Smets. Ele reiterou os avisos do presidente do BIS, Pablo Hernandez de Cos, sobre os riscos à estabilidade financeira associados à IA. “O que mais nos preocupa na área da IA é o rápido aumento da dívida e da alavancagem”, enfatizou Smets, observando que muitos acordos de financiamento são opacos e frequentemente ficam fora do balanço patrimonial. O relatório também analisou o financiamento do mercado privado direcionado à IA nos últimos anos, revelando que o endividamento das empresas de tecnologia subiu de cerca de 22 bilhões de dólares em 2010 para mais de 1 trilhão de dólares até 2025. Esses dados levantam preocupações sobre a sustentabilidade da dívida e a capacidade das empresas de enfrentar futuras crises econômicas. O BIS continua a monitorar a situação, ciente de que a complexidade das mensagens dos bancos centrais pode representar desafios para uma comunicação eficaz com o público.




