A escalada do conflito no Irã tem gerado um impacto significativo nas exportações de petróleo da Arábia Saudita, que enfrentam desafios sem precedentes. Desde o início das hostilidades, o reino, maior exportador de petróleo do mundo, viu suas embarcações caírem ao menor nível em 13 anos, com exportações registradas em apenas 3,2 milhões de barris por dia no último mês, conforme dados da Kpler, empresa de análise de dados marítimos.
Após o fechamento do estreito de Hormuz pelo Irã, a Arábia Saudita rapidamente implementou um plano alternativo, utilizando oleodutos que levam ao mar Vermelho. Contudo, essa rota apresenta custos mais elevados e prolonga o tempo de entrega para a Ásia, seu principal mercado. A situação se complicou ainda mais com o bloqueio anunciado pela milícia houthi do Iémen, que está ampliando a área de risco e ameaçando as rotas comerciais. Essa escalada de tensões levou a um aumento nos preços do petróleo, que ultrapassaram a marca de US$ 100 por barril.
Recentemente, os houthis intensificaram os ataques, causando ferimentos em civis sauditas e atingindo instalações de energia no sul do país. A segurança das companhias de navegação no mar Vermelho foi severamente comprometida, conforme apontou Peter Sand, analista da Xeneta, que destacou que a sensação de segurança anterior foi drasticamente afetada.
Além disso, a escalada de hostilidades entre os EUA e o Irã, que incluiu ataques a bases americanas e navios, contribuiu para um clima de incerteza no comércio marítimo. Um marinheiro foi reportado como desaparecido após um ataque com drone a um navio nos Emirados Árabes Unidos, evidenciando a gravidade da situação.
Os recentes ataques houthis, que já resultaram em pelo menos sete incidentes contra navios sauditas desde julho, demonstram como a guerra no Irã está desorganizando as rotas comerciais habituais. O estreito de Bab el-Mandeb, tradicionalmente uma passagem segura, registrou a menor quantidade de travessias desde julho de 2025, com uma média de apenas 35 por dia.
Os houthis, que têm uma agenda política própria, veem a guerra com o Irã como uma oportunidade para alterar o equilíbrio de poder na região. Fawaz A. Gerges, professor da London School of Economics, destacou que a situação atual pode ter consequências significativas para o abastecimento global de energia, já que o Irã se beneficia indiretamente dos ataques realizados pelos houthis.
A combinação de ataques, bloqueios e a escalada de tensões no Oriente Médio não apenas afeta a Arábia Saudita, mas também tem repercussões diretas no mercado global de petróleo, que já enfrenta desafios para manter a estabilidade dos preços em um cenário de incerteza crescente.




