Post: Interpol se junta às buscas por irmãos desaparecidos no Maranhão há oito meses

Interpol se junta às buscas por irmãos desaparecidos no Maranhão. Ágatha e Allan estão sumidos há oito meses.
Interpol se junta às buscas por irmãos desaparecidos no Maranhão há oito meses

A investigação sobre o desaparecimento de Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, em Bacabal, no Maranhão, ganhou uma nova frente nesta semana. O Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal disponibilizou ferramentas da Interpol para auxiliar na localização dos irmãos, que estão desaparecidos desde janeiro. A advogada Nathaly Moraes, que representa a mãe das crianças, Clarice Cardoso, informou que o contato foi feito na terça-feira (8) e que a família se reunirá nesta quarta-feira (9) em São Luís com representantes do Núcleo para entender como os mecanismos da organização poderão ser utilizados no caso.

A entrada da Interpol nas buscas não significa que Ágatha e Allan tenham sido encontrados ou que haja confirmação de que tenham deixado o Brasil. Também não há confirmação de que os irmãos estejam entre as crianças resgatadas recentemente em uma operação nos Estados Unidos. A possibilidade de uma frente internacional ganhou atenção após uma operação que resultou no resgate de 163 crianças, mas até o momento, não existe confirmação de que os irmãos estejam entre as vítimas localizadas.

Um representante do Consulado Brasileiro está acompanhando o caso nos Estados Unidos e mantém contato com as autoridades locais, já que algumas das crianças resgatadas ainda estão em processo de identificação. Nathaly Moraes já havia procurado a Polícia Federal devido à possibilidade de que o desaparecimento estivesse relacionado ao tráfico de pessoas, embora inicialmente não houvesse elementos suficientes para justificar essa hipótese. A suspeita de tráfico humano não foi confirmada pelas autoridades como causa do desaparecimento dos irmãos.

Em entrevista ao G1 Maranhão, Clarice Cardoso expressou sua esperança de reencontrar os filhos. “Mãe nenhuma desiste de filho, né? E eu não vou desistir dos meus filhos. Eu nunca vou perder minha esperança de encontrar os meus filhos vivos”, afirmou. Oito meses após o desaparecimento, o paradeiro dos irmãos continua desconhecido. Com a nova frente de cooperação, a família espera ampliar o cruzamento de informações e as possibilidades de localização, caso surjam pistas fora do Brasil.

Em um vídeo publicado nas redes sociais, Nathaly Moraes destacou que a família recebeu apoio do Núcleo de Cooperação Internacional, que colocou as ferramentas da Interpol à disposição. “Hoje nós recebemos o apoio, recebemos o e-mail e o apoio do Núcleo de Cooperação Internacional, colocando as ferramentas da Interpol para nos ajudar. E até então, durante todo esse período, nós não tínhamos esse apoio”, disse a advogada.

Os recursos podem ser utilizados tanto na busca pelas crianças quanto em um eventual processo de repatriação, caso sejam localizadas em outro país. A advogada ressaltou que a cooperação da Interpol abrange 197 países. A Interpol possui mecanismos específicos para casos de pessoas desaparecidas, como o Yellow Notice, um alerta internacional destinado a ajudar na localização de pessoas desaparecidas, especialmente menores de idade.

A publicação de um alerta desse tipo depende de solicitação das autoridades nacionais competentes. A reunião na Polícia Federal deve detalhar quais ferramentas poderão ser empregadas no caso dos irmãos. A cooperação internacional também pode permitir o compartilhamento de informações entre autoridades de diferentes países, caso apareçam pistas relacionadas ao paradeiro das crianças.

Ágatha e Allan desapareceram em 4 de janeiro de 2026, após saírem para brincar na comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, a cerca de 250 quilômetros de São Luís. Os irmãos estavam acompanhados do primo Wanderson Kauã, então com 8 anos. Os três desapareceram na mesma ocasião, mas o menino foi encontrado com vida três dias depois, debilitado e desorientado. Desde então, não houve informações confirmadas sobre o paradeiro de Ágatha e Allan.

As buscas mobilizaram forças de segurança, equipes especializadas e voluntários, com operações por terra, água e ar, utilizando equipamentos como drones e cães farejadores. Em determinado momento, centenas de pessoas participaram simultaneamente das buscas pela região. O caso permanece sob investigação e, segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão, detalhes não são divulgados devido ao segredo de Justiça.

Ao longo dos meses, diferentes hipóteses foram consideradas pelas autoridades. A possibilidade de que as crianças estivessem perdidas na mata chegou a ser investigada, assim como outras circunstâncias relacionadas ao desaparecimento. Até o momento, porém, não foi apresentada uma explicação definitiva para o sumiço dos irmãos.

Últimas Notícias