Um ano após conquistar o primeiro título nacional de sua história, a Ponte Preta se vê mergulhada em uma grave crise que ameaça sua permanência na Série B do Campeonato Brasileiro. O clube, que celebrou a vitória na Série C em 2025 como um marco de renascimento, agora enfrenta a realidade dura de salários atrasados, greves e uma equipe em desintegração. Com apenas 10 pontos acumulados em 25 rodadas, a Ponte ocupa a lanterna da competição e está prestes a repetir a queda para a terceira divisão.
A conquista da Série C, embora celebrada, não foi suficiente para solucionar os problemas financeiros que se acumulam desde 2017, quando o clube começou a atrasar pagamentos aos atletas. A esperança de que o acesso à Série B pudesse trazer alívio financeiro se dissipou rapidamente, e a situação se agravou. Neste domingo (6), a Ponte enfrenta o São Bernardo no Moisés Lucarelli, e se não vencer, completará 20 jogos sem triunfos, um recorde negativo na era dos pontos corridos.
Nos últimos jogos, a equipe somou apenas três pontos, resultado de empates com Botafogo-SP, Athletic e Náutico, enquanto acumulou 16 derrotas. A última partida, que resultou na 19ª derrota na Série B, evidenciou ainda mais a crise interna. O elenco, em greve devido aos salários atrasados por mais de seis meses, expressou seu descontentamento com a diretoria, que, segundo o advogado Filipe Rino, não apenas atrasou os pagamentos, mas também ignorou as preocupações dos jogadores.
“Os atletas trabalharam cerca de oito meses e receberam apenas dois meses de salário, em pagamentos fragmentados. O problema não é apenas financeiro; é também a falta de respostas da diretoria”, afirmou Rino. A greve dos jogadores foi motivada pela falta de ação da diretoria, que não demonstrou interesse em resolver a situação.
Diante da ausência do elenco principal, o técnico Gilson foi forçado a escalar apenas jogadores da base na última partida contra o América-MG, uma medida para evitar a derrota por WO. Embora o time jovem tenha se mostrado competitivo no primeiro tempo, a fragilidade se evidenciou na segunda etapa, resultando em mais uma derrota.
Inicialmente, os jogadores planejaram retomar as atividades apenas com os salários regularizados, mas mudaram de ideia ao perceber que a diretoria não se importava com a situação. “Decidiram voltar a treinar porque perceberam que a diretoria ignorou completamente a situação”, concluiu Rino. A Ponte Preta, que um dia foi sinônimo de celebração, agora se vê à beira de um novo rebaixamento, em uma trajetória marcada por desilusões e incertezas.



