Paula Azevedo, diretora-presidente do Instituto Inhotim, chegou à instituição em 2022 com a missão de garantir sua saúde financeira. O projeto Inhotim 2030, que visa organizar a governança, sustentabilidade e preservação do maior museu ao ar livre do mundo, é o foco de sua gestão. Durante 16 anos, o instituto sobreviveu apenas com os aportes do seu criador, o empresário Bernardo Paz, que fez contribuições significativas atreladas à sua coleção privada. Com a celebração dos 20 anos do Inhotim se aproximando, Azevedo enfatiza a necessidade de diversificação das receitas, mantendo, ao mesmo tempo, a gratuidade nas quartas-feiras e no último domingo de cada mês. “A cobrança de ingresso muda a cor da fila”, afirma, citando Ricardo Ohtake, presidente do conselho do Instituto Tomie Ohtake.
O projeto Inhotim 2030 foi iniciado a partir de um chamado de Bernardo Paz, que incentivou a equipe a pensar na perenidade financeira do instituto. O objetivo é chegar a 2026, ano em que o Inhotim completará 20 anos, com uma visão clara de futuro. O orçamento global da instituição é de R$ 90 milhões, dos quais 50% vêm de aportes via Lei Rouanet, uma ferramenta essencial para a sustentabilidade financeira. Azevedo busca um modelo ideal de sustentabilidade que divida a receita em três partes iguais: um terço de receita própria, um terço de doações e um terço de sustentação financeira própria. Atualmente, a receita própria representa 18%, e o plano é elevá-la para cerca de 30%, enquanto mantém entre 35% e 38% via Lei Rouanet.
Para maximizar a receita própria, o Instituto Inhotim está focando em bilheteira, eventos, alimentação e produtos licenciados. Todos os pontos de alimentação do parque foram reabertos, incluindo uma parceria com o Grupo Capim Santo, que opera em dois espaços-chave. A demanda por eventos corporativos e sociais está crescendo, especialmente com a reabertura e expansão de pousadas e hotéis na região. A loja institucional também se destacou, passando de um faturamento de R$ 3 milhões em 2022 para cerca de R$ 8 milhões atualmente.
A relação com patrocinadores é estruturada em um modelo de contrapartidas flexíveis, alinhadas aos pilares de arte, educação e natureza. A Vale, por exemplo, atua como mantenedora em um contrato de dez anos, enquanto parceiros como Grupo Ultra, Cemig e Nubank têm contratos de quatro anos. Esse modelo de captação de longo prazo proporciona segurança financeira e permite a execução do plano Inhotim 2030 sem depender das oscilações do mercado corporativo.
O Inhotim se diferencia de outras grandes instituições culturais ao focar em sua singularidade e na experiência que oferece ao público. Azevedo acredita que a combinação de arte, natureza e educação é o que torna o Inhotim um espaço único e relevante no cenário cultural brasileiro.



