O governo de Donald Trump está considerando uma proposta polêmica que envolve a cessão de uma parte do Parque Nacional de Yosemite, na Califórnia, a uma empresa de construção. Essa iniciativa, segundo documentos analisados pelo New York Times, visa permitir que a incorporadora privada Kingsbarn Realty Capital desenvolva uma estrada e duas propriedades próximas ao parque, o que gerou alarmes entre ambientalistas e ex-dirigentes do Serviço Nacional de Parques.
A proposta, inicialmente divulgada pelo veículo NOTUS, sugere que a empresa, em troca da área cedida, compraria terras de valor equivalente para transferir ao Serviço Nacional de Parques. Don Neubacher, ex-superintendente de Yosemite, expressou sua indignação, afirmando que a ideia é absurda e que uma proposta semelhante foi rejeitada no início dos anos 2000.
A Kingsbarn adquiriu as propriedades vizinhas ao parque por cerca de US$ 4 milhões e seu CEO, Jeff Pori, fez doações à campanha de Trump, levantando suspeitas sobre possíveis conflitos de interesse. A porta-voz do Departamento do Interior, Aubrie Spady, afirmou que nenhuma decisão foi tomada e que qualquer proposta passaria por rigorosos processos de análise ambiental.
Yosemite é famoso por suas paisagens deslumbrantes, incluindo cachoeiras e sequoias gigantes, e tem visto um aumento no número de visitantes desde que o governo Trump eliminou o sistema de reservas no verão. A proposta de permuta de terras está sendo tratada como prioridade pelo Departamento do Interior, que notificou o Congresso sobre a avaliação de custos relacionados à troca.
Os senadores democratas da Califórnia, Alex Padilla e Adam Schiff, criticaram a proposta, afirmando que o Fundo de Conservação de Terras e Águas, que poderia ser utilizado para financiar a permuta, deveria ser destinado à proteção de áreas naturais. Cicely Muldoon, ex-superintendente de Yosemite, também levantou preocupações sobre o impacto que essa decisão poderia ter em outros parques nacionais, destacando que a situação de Yosemite pode servir de precedente para futuras permissões de empreendimentos imobiliários em áreas protegidas.
A área em questão já enfrentou disputas imobiliárias desde os anos 90, quando um incorporador tentou construir um complexo turístico nas proximidades. Historicamente, propostas de desenvolvimento na região têm gerado resistência, e a atual proposta de Trump pode intensificar o debate sobre a preservação de espaços naturais em face do desenvolvimento comercial.



