O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou uma denúncia contra 16 indivíduos, acusados de fazer parte de um esquema de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro vinculado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O caso, que levou à deflagração da Operação Carbono Oculto em agosto do ano passado, revelou um esquema que movimentou aproximadamente R$ 2,9 bilhões por meio de empresas de fachada e operações financeiras fraudulentas no setor de combustíveis. A denúncia, feita no dia 18 de outubro e divulgada nesta quarta-feira (26), detalha como os acusados atuavam em conjunto para lavar o dinheiro obtido através da adulteração, falsificação de documentos e sonegação fiscal.
De acordo com o MPSP, os denunciados inseriram valores ilícitos no mercado formal, incompatíveis com os rendimentos que declararam ao fisco, de maneira reiterada e por meio de uma organização criminosa. O documento menciona que o esquema incluía a importação irregular e adulteração de combustíveis, utilizando nafta petroquímica de forma fraudulenta, além de simulações de compras e sonegação de tributos.
A investigação também revelou que os envolvidos utilizavam estruturas financeiras criadas para dificultar a identificação da origem dos recursos. O MPSP destacou que a escolha por instituições de pagamento, em vez de bancos tradicionais, visava dificultar o rastreamento dos recursos, e que as fintechs operavam com contabilidade paralela, permitindo transferências sem identificação dos beneficiários finais.
Durante a Operação Carbono Oculto, a Polícia Federal identificou fintechs na Faria Lima, conhecida como o coração financeiro de São Paulo, que eram utilizadas para movimentar os recursos do esquema. Uma dessas fintechs, a Reag Investimentos, tinha vínculos com o liquidado Banco Master, de Daniel Vorcaro, um ex-banqueiro preso. A apuração indicou que cerca de 40 fundos de investimento gerenciavam recursos do PCC, totalizando R$ 30 bilhões.
Além disso, a investigação apontou o desvio sistemático de metanol, uma substância de uso industrial, para abastecer postos de combustíveis na Grande São Paulo. O metanol, embora seja utilizado em biodiesel e outros produtos, é restrito em combustíveis automotivos. O esquema adulterava combustíveis com metanol e distribuía a produtos através de empresas criadas especificamente para esse fim.
O MPSP afirmou que a organização criminosa PCC está associada a uma rede de organizações criminosas, estabelecendo vínculos permanentes ou eventuais para garantir a efetividade das atividades ilícitas, especialmente no setor de combustíveis e no sistema financeiro.



