Post: Ministro destaca terras raras como ativo estratégico do Brasil na disputa Eua-china

Ministro Alexandre Silveira destaca terras raras como ativo estratégico do Brasil na disputa entre EUA e China, revelando conversas na Casa Branca.
Ministro destaca terras raras como ativo estratégico do Brasil na disputa Eua-china

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ressaltou na última segunda-feira (24), durante a Exposibram em Belo Horizonte, a importância das terras raras como um ativo estratégico para o Brasil em meio à crescente rivalidade entre os Estados Unidos e a China. Em sua fala, Silveira revelou que, em uma conversa na Casa Branca, ouviu de Donald Trump e sua equipe que os EUA estão em desvantagem na corrida pelos minerais críticos, que são essenciais para diversas indústrias, incluindo a tecnologia e a defesa.

Silveira destacou que a produção de terras raras no Brasil pode ser mais vantajosa em termos de custo em comparação com a China, embora a separação e o processamento desses minerais ainda estejam fortemente concentrados na nação asiática. Ele mencionou que os Estados Unidos precisam colaborar com o Brasil para garantir uma cadeia de suprimentos mais segura e diversificada. O ministro expressou preocupação com o fato de que a China, que já domina a tecnologia necessária para a extração e processamento, pode não ter interesse em investir no Brasil.

Recentemente, o Departamento de Defesa dos EUA anunciou um investimento significativo de US$ 750 milhões para adquirir carbonato misto de terras raras da Serra Verde, em Goiás. Este projeto, que já soma um total de US$ 1,5 bilhão em investimentos, inclui contratos de compra antecipada e dívidas bancárias, destacando a crescente importância do Brasil como fornecedor de minerais críticos. O acordo de offtake, que garante a compra por quinze anos, inclui minerais como neodímio e praseodímio, que são fundamentais para tecnologias modernas.

A mina de Serra Verde é a única em operação no Brasil e, até recentemente, estava comprometida com processadores chineses. O ativo foi adquirido pela USA Rare Earth por cerca de US$ 2,8 bilhões, um movimento que está sendo contestado no Supremo Tribunal Federal pelo partido Rede Sustentabilidade. Essa mudança de propriedade levanta questões sobre a estratégia do Brasil em relação à produção e processamento de terras raras, especialmente considerando que a separação continua a ser realizada fora do país.

A situação atual evidencia uma transição no mercado de terras raras, onde o Brasil está mudando de compradores sem, no entanto, conquistar a etapa de maior valor agregado, que é o processamento. Isso pode impactar a posição do Brasil em relação à sua política externa, especialmente em um momento em que o presidente Lula defende uma postura de equidistância entre as potências globais. A decisão sobre onde o valor é agregado deixa de ser tomada em Brasília, o que pode ter implicações significativas para a autonomia do país.

Além disso, a situação geopolítica envolvendo a China se intensifica, com a recente concordância entre China e Índia em buscar uma solução para suas disputas de fronteira. O chanceler chinês, Wang Yi, se reuniu com o conselheiro de Segurança Nacional indiano, Ajit Doval, em Pequim, destacando a importância do diálogo entre as duas nações vizinhas. O Exército chinês, por sua vez, abriu um canal para receber denúncias sobre irregularidades em suas compras, refletindo um movimento de transparência e responsabilidade em meio a uma campanha anticorrupção em andamento.

O cenário atual revela um complexo entrelaçamento de interesses econômicos e geopolíticos, onde o Brasil, ao se posicionar como um fornecedor estratégico de terras raras, pode influenciar as dinâmicas de poder entre as grandes potências. O futuro das relações comerciais e diplomáticas do Brasil dependerá de como o país gerenciará sua posição nesse novo contexto global.

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