Post: Banco Melli: alvo de sanções dos EUA há 19 anos e foco de Trump

Banco Melli, maior do Irã, enfrenta sanções dos EUA há 19 anos. Descubra as consequências e o impacto nas operações internacionais.
Banco Melli: alvo de sanções dos EUA há 19 anos e foco de Trump

O banco Melli, a maior instituição financeira do Irã, tem enfrentado sanções rigorosas por parte dos Estados Unidos ao longo das últimas duas décadas. Recentemente, o governo norte-americano intensificou suas ações contra o banco, visando eliminar sua capacidade de operar no exterior. Na última segunda-feira (24), o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou novas medidas que buscam punir países que mantêm relações comerciais com o Irã, destacando a necessidade de fechar todas as agências do Melli e deixá-las “às escuras”.

Essas sanções não são novidade para o Melli, que já sofre penalidades financeiras desde 2007, quando foi acusado de financiar programas nucleares e de mísseis do Irã. Além das sanções americanas, a ONU e a União Europeia também tentaram restringir as operações do banco, alegando que ele utilizava empresas de fachada para sustentar atividades ilícitas.

Apesar das dificuldades, algumas agências do Melli, como a de Dubai, continuam operando normalmente, enquanto a unidade em Londres, que existe desde 1967, enfrenta incertezas devido às sanções. Em sua última avaliação, a unidade britânica do Melli informou que estava mudando seu foco para a proteção de ativos, em vez de crescimento, em resposta às severas restrições impostas.

A capacidade de resistência do banco Melli está intimamente ligada ao apoio do governo iraniano e à sua extensa rede de agências no país, que totaliza cerca de 3.100. No entanto, a pressão internacional tem feito com que alguns países, como o Iraque, revoguem as licenças de operação do banco sob influência das sanções. Outras nações, como o Reino Unido e a União Europeia, impuseram restrições que, embora não tenham fechado as agências, tornaram suas operações quase inviáveis.

As autoridades americanas alegam que o Melli tem utilizado empresas internacionais como fachada para movimentar dinheiro, parte de uma rede bancária paralela que movimenta bilhões de dólares anualmente. Em janeiro, o Departamento do Tesouro dos EUA acusou empresas nos Emirados Árabes Unidos e em Singapura de atuar como intermediárias para canalizar recursos para o Irã.

Matthew Levitt, ex-oficial de inteligência do Tesouro, observou que, apesar da diminuição do alcance do Melli, o banco ainda consegue financiar atividades ilícitas através de subsidiárias e da aplicação seletiva das regras em diversos países. Os Emirados Árabes Unidos, em particular, têm sido identificados como um centro de financiamento ilícito para o Irã, com um comércio bilionário entre os dois países.

Recentemente, as relações entre os Emirados e o Irã esfriaram, especialmente após a intensificação das hostilidades aéreas entre os EUA e o Irã. Na semana passada, os Emirados anunciaram a interrupção de todo comércio e transações financeiras com o Irã, como parte de uma estratégia para aumentar a pressão sobre Teerã em meio à sua crescente crise econômica.

O ministro das Finanças do Irã, Ali Madanizadeh, previu que muitos países não atenderiam às exigências dos EUA, afirmando que o Irã possui suas próprias estratégias para lidar com as pressões externas. No entanto, a situação do Melli no Reino Unido é preocupante, com as sanções reduzindo significativamente sua capacidade de operação e gerando incertezas sobre o futuro de suas agências em Londres, Paris e Hamburgo.

As sanções impostas em setembro passado pelo Reino Unido e pela União Europeia foram um golpe duro para o Melli, que já lutava para manter sua presença internacional. O banco, que tinha cerca de 100 milhões de euros em depósitos em dezembro, agora se vê forçado a focar na proteção de seus ativos restantes, enquanto a pressão internacional continua a aumentar.

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