Os indicadores educacionais, embora limitados em sua capacidade de oferecer uma visão abrangente da qualidade do sistema, funcionam como termômetros valiosos para analisar a evolução ao longo do tempo. Eles permitem tanto o acompanhamento do progresso de uma rede ou escola em comparação consigo mesma quanto a medição de resultados entre diferentes realidades. Nesse contexto, as redes estaduais do Piauí e do Distrito Federal se destacam em relação ao principal indicador de qualidade do ensino, o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), cuja edição de 2025 foi divulgada recentemente.
O Piauí apresentou um avanço significativo no ensino médio, enquanto o Distrito Federal foi a única rede estadual do país a registrar queda. Os dados mostram que os alunos da capital federal estão aprendendo menos hoje do que há uma década. Em contrapartida, o Piauí alcançou o maior progresso do país nas médias de português e matemática, não apenas em relação à edição de 2023, mas também ao comparar com os resultados de 2015.
Ambas as redes têm tamanhos similares, com o Piauí somando 103 mil matrículas no ensino médio e o DF com 76 mil alunos. Contudo, mais da metade dos estados possui redes maiores, o que evidencia a complexidade da atuação educacional em cada localidade. As diferenças no perfil dos alunos também são marcantes: enquanto 20% das mães dos estudantes no Piauí não completaram a 5ª série, esse índice é de apenas 11% no DF. A escolaridade das mães tem uma grande relevância no sucesso escolar dos filhos, e esses dados servem de alerta para as intervenções necessárias em cada estado.
Os números não deixam dúvidas de que, ao contrário do DF, o Piauí apresenta um trabalho educacional positivo e acumulado, evidenciado por iniciativas como a educação integral e a prioridade dada à educação. No Piauí, o secretário de Educação foi promovido a vice na chapa de um candidato ao governo, refletindo a importância que a educação assume na agenda política local. Essa valorização contrasta com a realidade do DF, onde a educação parece ter perdido espaço nas prioridades governamentais.
Esses contrastes entre as duas realidades educacionais devem servir como um chamado à ação. O Piauí, com seu avanço, demonstra que é possível implementar políticas eficazes que promovam a melhoria da educação, enquanto o DF precisa urgentemente reavaliar suas estratégias para não continuar a trajetória de retrocesso. O futuro da educação em ambas as regiões depende de uma análise cuidadosa das práticas que têm sido bem-sucedidas e da implementação de intervenções que possam reverter a situação atual no Distrito Federal.



