A Polícia Federal (PF) decidiu adiar o depoimento do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do liquidado Banco Master, que estava agendado para esta quinta-feira (20). O adiamento foi solicitado pela defesa do empresário, que alegou não ter tido acesso completo ao material da investigação para se preparar adequadamente. Vorcaro, que agora conta com a defesa do advogado Daniel Bialski, é investigado por supostamente aliciar e corromper servidores do Banco Central, com o objetivo de obter informações sigilosas sobre seu conglomerado financeiro.
Fontes próximas à investigação informaram que a nova defesa precisa de mais tempo para analisar os documentos antes do depoimento. Além de Vorcaro, o caso também envolve o depoimento de Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do Banco Central, que é um dos alvos da terceira fase da Operação Compliance Zero. Santana é suspeito de ter repassado informações sigilosas e prestado consultoria informal a Vorcaro.
As investigações revelam que Vorcaro teria aliciado servidores do Banco Central através de pagamentos de propina, utilizando empresas intermediárias e oferecendo benefícios indiretos. Em troca, esses servidores atuavam como informantes, fornecendo dados sigilosos e orientações técnicas que poderiam ter ajudado a evitar a liquidação do Banco Master.
Entre as formas de propina identificadas estão repasses milionários via empresas de fachada, transações simuladas de compra de imóveis e custeio de viagens internacionais, incluindo passeios a parques da Disney. A PF aponta que os servidores realizavam uma espécie de consultoria paralela, orientando Vorcaro na elaboração de ofícios enviados ao Banco Central e ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com a intenção de proteger os negócios do banqueiro.
Recentemente, a defesa de Vorcaro, agora composta por Bialski e Sérgio Leonardo, que já atuava no caso desde o início das investigações, manifestou a intenção de negociar uma nova tentativa de delação premiada. As duas tentativas anteriores foram rejeitadas pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por não apresentarem informações novas. A nova abordagem busca permitir que Vorcaro forneça detalhes extensivos sobre o funcionamento do esquema no Banco Master, embora a confiança da PGR tenha sido abalada pelas omissões nas tentativas anteriores. O ministro André Mendonça, relator da ação no Supremo Tribunal Federal (STF), já indicou que não vê necessidade de uma delação neste contexto.




