Post: Briga familiar e atraso na modernização das Casas Bahia agravam crise do grupo, afirmam especialistas

A crise nas Casas Bahia é agravada por disputas familiares e atraso na modernização da empresa, que pediu recuperação judicial.
Briga familiar e atraso na modernização das Casas Bahia agravam crise do grupo, afirmam especialistas

O pedido de recuperação judicial das Casas Bahia, protocolado na última segunda-feira (17), revela não apenas a deterioração das finanças da empresa, mas também um cenário mais amplo de crise no varejo brasileiro. Especialistas apontam que a situação é agravada por disputas internas na família Klein, que controla a marca, e pela falta de investimentos em modernização nos últimos anos.

Ana Paula Tozzi, CEO da AGE Consultores e especialista em varejo, destaca que as brigas familiares têm um impacto direto na gestão da empresa. “Em abril do ano passado, Michael Klein solicitou a destituição do conselho. Se a situação já era complicada para um varejo que precisa ser bem gerido, imagine com problemas internos. As Casas Bahia demoraram para se modernizar porque estão enfrentando essas batalhas há anos”, afirma.

Atualmente, o passivo do grupo ultrapassa R$ 17,3 bilhões. Na última sexta-feira (14), a empresa anunciou o fechamento de 298 lojas e a demissão de cerca de 1.900 funcionários. Em 2024, o grupo já havia passado por uma recuperação extrajudicial, mas as disputas familiares pela herança do fundador Samuel Klein, que se intensificaram entre 2020 e 2025, continuam a afetar a operação da companhia.

Recentemente, a empresa passou por mudanças significativas na sua estrutura de comando, incluindo a troca de seu departamento jurídico e a saída de dois membros do conselho de administração. No segundo trimestre deste ano, o prejuízo acumulado foi de R$ 10,1 bilhões, enquanto o patrimônio líquido da companhia registrou um saldo negativo de R$ 8,1 bilhões. O CEO Renato Franklin anunciou que a nova estratégia será operar uma companhia menor, focada em atividades que possam gerar retorno financeiro.

Marcelo Tostes, especialista em Direito Empresarial e ex-advogado do Grupo Casas Bahia, ressalta a dificuldade enfrentada pelo varejo em um cenário de recuperação judicial. “A margem de lucro no varejo é extremamente reduzida, variando entre 2% e 3%, enquanto o capital necessário para operar é elevado. O setor exige a compra de eletrodomésticos e eletrônicos, e há poucos fornecedores dispostos a negociar. As fábricas exigem garantias e seguros de compra, o que encarece ainda mais a operação para o varejista. Quem vai vender para uma empresa em recuperação judicial exige garantias adicionais”, explica.

O novo passivo informado pela empresa soma R$ 17,3 bilhões, sendo que aproximadamente R$ 16,4 bilhões estão classificados como créditos quirografários, ou seja, sem garantias reais. Além disso, a companhia solicitou proteção sobre recebíveis de cartão e Pix, que poderiam ser retidos e comprometer até 60% da entrada mensal de caixa. Essa situação torna ainda mais crítica a recuperação das Casas Bahia, que enfrenta um dos momentos mais desafiadores de sua história.

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