O terremoto que atingiu a Colômbia no último dia 10, com magnitude de 7,4 e que resultou na morte de 289 pessoas, segundo o último balanço, expôs os desafios enfrentados pelo governo de Abelardo de la Espriella logo em sua primeira semana no cargo. O presidente, que assumiu o poder em um contexto de forte polarização política, viu suas promessas de campanha serem postas à prova em um momento de crise nacional. Apenas três dias após sua posse, Espriella declarou calamidade pública, suspendendo uma viagem que havia planejado pelo país e negou ajuda internacional de diversas nações, justificando que a decisão foi tomada ‘sem qualquer consideração ideológica ou política’. A situação se tornou ainda mais complexa quando o novo presidente, que se posicionou como um defensor de medidas rigorosas em segurança pública e austeridade econômica, teve que redirecionar sua atenção para a resposta ao desastre. A primeira ação foi a decretação de calamidade pública, o que permite maior flexibilidade nas contratações e agiliza os trâmites administrativos do Estado. Em seguida, Espriella começou a trabalhar em conjunto com a UNGRD (Unidade Nacional para Gestão de Risco de Desastres), que até então estava sob a liderança de Javier Pava, um aliado do ex-presidente Gustavo Petro. Essa relação entre os dois governos reflete a tumultuada transição de poder que se seguiu à vitória apertada de Espriella nas eleições de junho. Desde o início de julho, enquanto ainda era presidente eleito, Espriella já havia acusado Petro de tentar dar um golpe de Estado, o que resultou na suspensão de algumas reuniões tradicionais entre as equipes de transição. Embora já tivesse um nome para a liderança da UNGRD, o geólogo David Tamayo, Espriella só o empossou na noite de terça-feira (11), o que atrasou a resposta oficial ao desastre. A recusa em aceitar ajuda de equipes estrangeiras de busca e resgate, exceto das que vieram dos Estados Unidos, Israel, Equador e El Salvador — todos países que compartilham afinidades ideológicas com o novo governo — gerou controvérsias e críticas. A resposta do governo à tragédia natural não apenas destaca a fragilidade das promessas de Espriella, mas também revela a tensão política que permeia seu governo. A recusa de ajuda internacional e a escolha de aliados para a assistência humanitária levantam questões sobre a capacidade do novo presidente de unir o país em tempos de crise. À medida que a situação se desenrola, a Colômbia observa atentamente como Espriella lidará com as consequências desse desastre e se conseguirá manter a confiança da população em meio a um cenário de incertezas e desafios ideológicos.



