Post: Gado brasileiro enfrenta barreiras na China, mas pode encontrar oportunidades nos EUA

O gado brasileiro enfrenta tarifas na China, mas pode encontrar oportunidades de exportação nos EUA com a queda do rebanho americano.
Gado brasileiro enfrenta barreiras na China, mas pode encontrar oportunidades nos EUA

Enquanto o governo brasileiro avalia como responder à elevada sobretaxação imposta pelos Estados Unidos, o setor agropecuário nacional busca alternativas para contornar um aumento de tarifas na China. A carne bovina, que inicialmente não foi afetada pelas novas taxas de Donald Trump, agora enfrenta uma situação ainda mais desafiadora com a possibilidade de uma tarifa que pode saltar de 12% para 67% a qualquer momento. Essa barreira será acionada assim que o Brasil atingir a cota de 1,106 milhão de toneladas de carne desembarcadas na China neste ano, e segundo o Ministério do Comércio da China, 90% desse limite já foi preenchido.

Diante desse cenário, os dados mostram que o Brasil acelerou suas exportações de carne. De acordo com a Abiec, no primeiro semestre, o país exportou 1,7 milhão de toneladas, gerando uma receita de US$ 9,85 bilhões, com a China respondendo por quase metade desse montante. Contudo, esse sucesso também trouxe vulnerabilidades, levando os frigoríficos a reduzirem os embarques, especialmente após uma queda de 47% nas vendas para a China em julho, em comparação ao ano anterior.

Enquanto as exportações para a China enfrentam obstáculos, os Estados Unidos, que estão com seu rebanho em um nível historicamente baixo de 86,2 milhões de cabeças, podem estar mais abertos a importar carne brasileira. Estima-se que o país deverá importar cerca de 2,75 milhões de toneladas neste ano, o que pode representar uma oportunidade para os produtores brasileiros.

Os relatórios financeiros das principais empresas do setor, como JBS, MBRF e Minerva, revelam a complexidade da situação. A JBS, por exemplo, registrou uma receita recorde de US$ 23,9 bilhões, mas também enfrentou um prejuízo de US$ 102 milhões no trimestre. Nos Estados Unidos, o aumento dos custos com gado superou o preço da carne, enquanto no Brasil, as exportações ajudaram a sustentar o negócio, resultando em um crescimento de 28% na receita.

A Minerva, por sua vez, viu sua receita subir para R$ 14,1 bilhões, mas o lucro caiu 57%, para R$ 197 milhões, e o Ebitda, que mede a rentabilidade da atividade principal, recuou 5,5%. A empresa também enfrentou custos crescentes na formação de estoques, o que gerou preocupações sobre sua geração de caixa.

Por outro lado, a MBRF apresentou um desempenho mais positivo, com vendas recordes e um aumento de 5,4% em seu indicador operacional, beneficiando-se da diversificação em diferentes tipos de carne e mercados. Essa estratégia ajudou a equilibrar os resultados, mesmo em tempos difíceis.

Os investidores estão atentos a essas dinâmicas. Enquanto o Ibovespa caiu 4,2% na semana, as ações da MBRF subiram 2,6%. A JBS, listada em Nova York, se recuperou após a divulgação de seus resultados, enquanto a Minerva, que chegou a perder quase 10% em um único dia, conseguiu reduzir suas perdas para 3,9% ao final da semana. Essa situação evidencia que, para os grandes investidores, não basta observar apenas o tamanho ou faturamento de uma empresa; a diversificação é crucial para mitigar riscos em um mercado tão volátil.

Últimas Notícias