A Azul Linhas Aéreas encerrou o segundo trimestre de 2026 com um prejuízo líquido de R$ 1 bilhão, revertendo o lucro de R$ 1,3 bilhão registrado no mesmo período do ano anterior. O resultado foi impactado principalmente pela alta dos combustíveis, que se tornou um dos principais desafios enfrentados pela companhia. O balanço foi divulgado na última quinta-feira (13).
A administração da empresa destacou que o segundo trimestre costuma ser o mais desafiador em termos de rentabilidade no Brasil. A guerra no Irã, que elevou os preços do petróleo e do querosene de aviação (QAV), pressionou os custos das companhias aéreas. A Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) estima que as empresas brasileiras tenham enfrentado um gasto extra de R$ 5,2 bilhões com combustível desde o início do conflito, no final de fevereiro.
John Rodgerson, CEO da Azul, comentou sobre a situação, afirmando que os custos com combustível aumentaram em quase R$ 700 milhões durante o trimestre e que a capacidade foi cortada para tentar mitigar os impactos. “Esse sempre seria um trimestre de transição, de qualquer forma”, disse ele à agência Reuters.
Apesar da reversão do lucro, a receita da companhia avançou 0,7%, atingindo um recorde de R$ 5 bilhões. Esse crescimento é atribuído ao aumento das tarifas, que foram ajustadas para compensar a alta dos combustíveis. As receitas de logística também apresentaram um crescimento significativo de 16,1% em relação ao ano anterior.
Rodgerson expressou otimismo em relação ao mercado de aviação brasileiro, destacando a resiliência da demanda. “Os fundamentos no Brasil estão muito bons no momento, e acreditamos que estamos bem posicionados. Guerras e crises não duram para sempre”, afirmou.
O RASK, indicador que mede a receita por assento ofertado, cresceu 12,7%, alcançando R$ 0,43, um novo recorde para o período. No entanto, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) caiu 55,4% na comparação anual, totalizando R$ 510,1 milhões. A empresa atribui essa queda a variações no capital de giro, investimentos e arrendamentos.
No que diz respeito à liquidez, a Azul encerrou o trimestre com R$ 3,7 bilhões em caixa. Em junho, a companhia acessou R$ 330 milhões por meio de uma linha de crédito de curto prazo regulamentada pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), o que proporciona flexibilidade financeira e permite que a empresa se concentre em seus planos de longo prazo.
Em fevereiro deste ano, a Azul concluiu seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11, iniciado em maio de 2025. Rodgerson destacou que o segundo trimestre demonstra a capacidade da Azul de executar seu plano de negócios com disciplina, mesmo em um ambiente desafiador, e reafirmou o compromisso da companhia em priorizar a rentabilidade, ajustando a capacidade à demanda e fortalecendo a estrutura de capital.
A capacidade doméstica da Azul foi reduzida em 6,5%, enquanto a capacidade internacional caiu 24,9%.



