Três dias após o terremoto que devastou cidades no chamado Eixo Cafeeiro da Colômbia, os moradores de Pereira, uma das cidades mais afetadas, ainda dormem nas ruas, temendo saques em suas casas, muitas delas agora inabitáveis. A situação é crítica, e a incerteza sobre o futuro paira sobre a comunidade.
Em um dos bairros, o odor de carne podre se espalha pela rua, vindo de um açougue destruído pelo tremor. Enquanto uma retroescavadeira retira barris de alimentos estragados, os moradores aguardam informações das autoridades sobre a condição de suas residências. “Podemos ficar? Precisamos sair? O que fazer agora?”, são algumas das perguntas que ecoam entre eles, enquanto os estragos se espalham e a sensação de insegurança aumenta.
No bairro de Corocitos, por exemplo, os moradores relataram que, dois dias após o terremoto, ainda não haviam recebido a visita de bombeiros ou de outras autoridades. Nesta quinta-feira, engenheiros municipais começaram a percorrer as ruas para avaliar quais casas ainda podem ser habitadas. A presença deles trouxe um leve alívio, mas muitos ainda se sentem desamparados.
Maria Angélica Herrera, de 27 anos, expressou sua frustração com a demora na assistência pública. Ela, que mora de aluguel, recebeu a visita do proprietário, que afirmou que sua casa estava habitável, apesar dos danos visíveis. “É impossível. Tivemos vazamentos de gás e água. Esta casa está inabitável”, disse, apontando para a estrutura danificada. Logo após essa conversa, engenheiros avaliaram o local e discordaram do proprietário, afirmando que as paredes não tinham mais sustentação.
Outra moradora, Blanca Amanda Buitrón Osorio, viu sua casa ser completamente destruída. Parte da estrutura desabou sobre a residência de Novelia Duque, de 69 anos, que quase não conseguiu escapar. Agora, todos que viviam no edifício estão dormindo na calçada, temendo que novos tremores possam causar mais danos. “Não temos para onde ir”, lamentou Blanca, com lágrimas nos olhos. “Somos pessoas humildes, que viviam um dia por vez.”
A situação é alarmante, e as autoridades enfrentam desafios para atender a todos os necessitados. A coleta de informações para um censo está em andamento, com o objetivo de identificar as pessoas que precisam de ajuda, incluindo abrigo temporário. Enquanto isso, a comunidade se une em meio ao desespero, tentando encontrar força para enfrentar o que vem a seguir. Os dias que se seguem ao desastre serão cruciais para a recuperação da região e para a assistência a essas famílias que perderam tudo. A esperança é que a ajuda chegue rapidamente, mas a realidade é que, por enquanto, muitos ainda enfrentam a incerteza e o medo.




