A Diocese de Jundiaí, localizada no interior de São Paulo, anunciou a excomunhão do padre Rodrigo de Oliveira Silva, que se juntou à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). A confirmação foi feita pelo bispo diocesano, dom Arnaldo Carvalheiro Neto, em uma nota pastoral divulgada na última quinta-feira (6). O padre, que foi ordenado em 2011 e atuava na paróquia de Santo Antônio de Pádua, se afastou do cargo em fevereiro deste ano para se dedicar à FSSPX, uma comunidade tradicionalista que desafia a autoridade do Vaticano.
Em sua declaração, dom Arnaldo afirmou que a adesão do padre à FSSPX o coloca em situação de cisma e excomunhão, assim como todos os ministros vinculados à mesma Fraternidade. Ele ressaltou que os atos realizados por Rodrigo em seu ministério são considerados ilícitos, e que os sacramentos que ele ministra, como a absolvição sacramental e os casamentos, não têm validade. O bispo também alertou os fiéis sobre a irregularidade das celebrações litúrgicas conduzidas pelo padre, recomendando que evitassem participar delas para não correrem o risco de aderir ao cisma.
A FSSPX, fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, rejeita as reformas do Concílio Vaticano II e a nova liturgia estabelecida em 1969. A comunidade é conhecida por sua postura rigorosa em relação à doutrina católica e pela celebração exclusiva da missa tridentina. Recentemente, a FSSPX ordenou quatro novos bispos sem a autorização do papa Leão XIV, o que levou à excomunhão da instituição pela Igreja Católica.
Rodrigo de Oliveira Silva, natural de Cajamar (SP), expressou em um vídeo que preferiria estar em uma paróquia, mas justificou sua decisão de se afastar, alegando que as paróquias atuais propagam doutrinas que não são mais católicas. Ele também iniciou uma campanha de arrecadação de fundos para adquirir um espaço onde realiza missas em Campo Limpo Paulista, tendo já arrecadado mais de R$ 70 mil de um total de R$ 190 mil necessários.
A situação do padre e a excomunhão levantam questões sobre a divisão entre os católicos tradicionais e a Igreja Católica moderna. A FSSPX, apesar de ser o maior grupo tradicionalista, não é o único. Outras comunidades, como a Fraternidade de São Pedro e o Instituto Bom Pastor, mantêm status canônico regular e celebram a missa tridentina com a autorização dos bispos locais. A Administração Apostólica São João Maria Vianney, no Brasil, também é dedicada à celebração da missa tridentina, mas em comunhão com o papa.
O caso do padre Rodrigo reflete uma crise mais ampla dentro da Igreja Católica, onde debates sobre tradição e modernidade continuam a polarizar os fiéis. A excomunhão serve como um alerta sobre as consequências de se afastar da comunhão com a Igreja e a liderança do papa, um tema que ressoa profundamente entre os católicos contemporâneos.




