À frente da revolta que busca afastar Gianni Infantino da presidência da Fifa, Aleksander Ceferin, presidente da Uefa, se destaca como um líder incomum. Com 58 anos e um histórico de batalhas bem-sucedidas, como a luta contra a Superliga e a proposta de uma Copa do Mundo bienal, Ceferin se prepara para mais um desafio. Ele estará em Salzburgo na quarta-feira (12) para a Supercopa da Uefa entre PSG e Aston Villa.
Ceferin, um advogado criminalista de olhar penetrante, não é movido pela ambição pessoal. Ele já descartou a possibilidade de concorrer à presidência da Fifa, o que o torna um líder singular em um ambiente repleto de interesses pessoais. A proposta de Infantino de abrir a Fifa a investidores privados gerou uma tempestade, e a Uefa não hesitou em ameaçar boicotar competições da entidade máxima do futebol, incluindo a Copa do Mundo.
Mesmo após a desistência do projeto de Infantino, a Uefa continua a pressionar, considerando o relacionamento com o presidente da Fifa irremediavelmente rompido. Embora Infantino tenha apoio interno e a capacidade de convencer as 211 federações filiadas, a união da Uefa com as confederações da Concacaf e da AFC traz um peso político significativo, que tem a assinatura de Ceferin.
Desde sua eleição em 2016, Ceferin se destacou por sua postura de diálogo e por ser um “homem de equipe”. Ele se tornou presidente da Uefa após a saída de Michel Platini, e sua experiência como dirigente de clubes de futsal e da Federação Eslovena de Futebol o preparou para lidar com a complexidade do futebol moderno. Reeleito em 2019 e 2023 sem oposição, ele é visto como um gestor respeitado, tendo reformulado o fair play financeiro e adaptado competições europeias durante a pandemia.
A resistência de Ceferin a Infantino também se manifestou em 2021, quando a Fifa considerou realizar uma Copa do Mundo a cada dois anos. Ceferin se uniu a Alejandro Domínguez, presidente da Conmebol, para barrar essa ideia. Além disso, ele enfrentou a traição de presidentes de 12 grandes clubes europeus que tentaram criar uma competição privada, desistindo após intensos protestos.
Com um semblante sério, Ceferin expressou sua decepção em relação a figuras como Andrea Agnelli, ex-presidente da Juventus e próximo a ele. Após esse episódio, ele se manteve vigilante, formando uma aliança com Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, como uma estratégia adicional contra a Fifa. Essa postura cautelosa reflete sua experiência e habilidade em negociar nos bastidores, longe dos holofotes.
A trajetória de Ceferin na Uefa é marcada por desafios e vitórias, e sua determinação em enfrentar Infantino coloca à prova não apenas sua liderança, mas também o futuro do futebol mundial.




