A Organização Mundial da Saúde (OMS) reafirmou nesta terça-feira a importância das vacinas infantis, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinar uma ordem executiva que propõe uma redução no número de imunizações recomendadas para crianças. A medida, que sugere um calendário com apenas 11 vacinas, foi anunciada como uma forma de oferecer uma proteção de “padrão-ouro” e alinhar os Estados Unidos a outras nações desenvolvidas que adotam menos doses.
Trump, em sua justificativa, argumentou que essa mudança traria benefícios à saúde das crianças norte-americanas. No entanto, especialistas em saúde pública alertam que os países que recomendam menos vacinas enfrentam riscos diferentes de doenças e possuem sistemas de saúde distintos. A ordem executiva de Trump também é vista como um avanço em uma agenda promovida pelo secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., que tem questionado a segurança das vacinas e associado erroneamente a sua aplicação ao autismo, uma alegação que já foi amplamente desmentida por estudos científicos e autoridades de saúde.
O porta-voz da OMS, Tarik Jašarević, destacou que as recomendações de vacinação são baseadas em mais de 60 anos de pesquisa, envolvendo análises detalhadas sobre a vulnerabilidade das crianças a doenças e o desenvolvimento do sistema imunológico. Ele enfatizou que os países devem se apoiar em grupos técnicos de especialistas para formular seus calendários de vacinação, seguindo as diretrizes do Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização (SAGE) da OMS.
A nova política de vacinação proposta por Trump gerou críticas de associações médicas e fabricantes de vacinas, que afirmam que não há evidências científicas que justifiquem a redução do número de vacinas e que o calendário atual reflete décadas de pesquisa e as necessidades específicas de saúde da população norte-americana.
Além disso, a ordem recomenda a separação da vacina combinada contra sarampo, caxumba e rubéola (MMR) em três injeções individuais. A fabricante Merck alertou que não existem evidências que demonstrem benefícios na separação das doses e que isso poderia aumentar o risco de atrasos na vacinação ou de vacinas não aplicadas, deixando mais crianças vulneráveis a doenças evitáveis.




