O comitê organizador dos Jogos Olímpicos Rio-2016 encerrou suas atividades após receber R$ 149 milhões em doações de parceiros do Comitê Olímpico Internacional (COI) para saldar dívidas acumuladas durante a realização do evento. Os recursos foram repassados entre 2019 e 2023, embora a origem dos fundos não tenha sido divulgada. Para finalizar suas contas em dezembro de 2023, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) e o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) também abriram mão de verbas que tinham direito.
Em uma nota, o COI destacou que contribuiu com US$ 1,53 bilhões (aproximadamente R$ 5 bilhões em valores de 2016) para a realização dos Jogos, reafirmando seu compromisso com todos os comitês organizadores. O COI ressaltou que, apesar da crise econômica sem precedentes enfrentada pelo Brasil, a colaboração dos Comitês Olímpicos Nacionais e das federações internacionais foi fundamental para o sucesso dos Jogos Olímpicos Rio 2016.
As dívidas do comitê organizador se tornaram um entrave significativo após os Jogos, sendo atribuídas à falta de repasses de verbas públicas. Isso levou à necessidade de mobilização do COI para evitar que a primeira edição olímpica na América do Sul fosse marcada por um rombo financeiro. Além do COB e do CPB, fornecedores dos Jogos e funcionários com ações trabalhistas também estavam entre os credores. Em 2017, a dívida total foi estimada em US$ 104 milhões (cerca de R$ 341 milhões na época), com a GL Events, responsável pela montagem de estruturas, sendo a principal credora.
Ricardo Trade, que assumiu como CEO do comitê em 2017, foi o responsável por negociar o encerramento das contas. Ele enfatizou que sua missão não era obter visibilidade, mas sim proteger a imagem de um evento que, segundo ele, foi muito bem organizado. Trade afirmou que não tem conhecimento sobre quais parceiros olímpicos contribuíram para o pagamento das dívidas, mas indicou que a ajuda veio do COI ou de patrocinadores.
O encerramento das atividades do comitê organizador marca um capítulo importante na história dos Jogos Olímpicos no Brasil, refletindo tanto os desafios enfrentados quanto as lições aprendidas na gestão de grandes eventos esportivos.




