A polarização política marcou o primeiro debate das eleições de 2026 em São Paulo, realizado pela Band na noite deste domingo (9). O confronto reuniu o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), reeditando o embate do segundo turno das eleições estaduais de 2022. Tarcísio, representando o legado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), se posiciona como o principal aliado do pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Por outro lado, Haddad é um dos principais expoentes do petismo e da esquerda brasileira, apoiado pelo atual presidente Lula (PT).
O debate começou com a segurança pública, tema que se destaca nas pesquisas como a principal preocupação dos eleitores. Tarcísio lembrou das operações que resultaram no fim da cracolândia, questionando Haddad sobre o programa “De Braços Abertos”, implementado durante sua gestão como prefeito. Haddad defendeu o aspecto social do programa e criticou Tarcísio por não reconhecer o papel do Ministério Público nas operações contra o tráfico de drogas. “O prefeito cuida de pessoas doentes; o programa não tinha capacidade de enfrentar o tráfico de drogas, que é assunto da polícia”, argumentou o ex-prefeito.
Tarcísio, por sua vez, ressaltou que o atual governo encerrou as atividades na cracolândia após mais de 30 anos, destacando a colaboração entre a prefeitura, o Ministério Público e a Polícia Militar. Ele afirmou que a operação foi fundamental para desmantelar o crime organizado que atuava na região.
No segundo bloco, a discussão sobre a cracolândia voltou à tona, com Tarcísio mencionando um evento do governo federal que contou com a presença de Haddad e uma mulher associada ao tráfico. A resposta de Haddad foi incisiva: “Que deselegância. Você acha que eu conheço o tráfico de drogas como você conhece?” O ex-ministro criticou Tarcísio por não ter agido se tivesse conhecimento da situação.
Haddad também aproveitou para acusar o ex-presidente Jair Bolsonaro de dar um “calote” ao estado de São Paulo, referindo-se a uma dívida de R$ 45 bilhões que, segundo ele, foi deixada por Bolsonaro aos governadores. Tarcísio pediu que Haddad focasse no debate atual, lembrando que ele foi derrotado por Bolsonaro nas eleições de 2018.
Em resposta, Haddad questionou se Tarcísio tinha vergonha de Bolsonaro, ao que o governador respondeu que tinha gratidão pelo ex-presidente, que lhe deu a oportunidade de ser ministro. O ex-ministro criticou ainda o combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e as investigações que envolvem a Polícia Militar de São Paulo.
Tarcísio defendeu a atuação de seu governo, citando os menores índices de homicídios e roubos desde 2001. Ele também mencionou as operações conjuntas com o Ministério Público e a Polícia Federal, ressaltando o combate ao crime organizado.
O debate prosseguiu com a disputa sobre a “paternidade” da operação Carbono Oculto, que investiga a lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Tarcísio argumentou que a investigação começou com a Polícia Civil, enquanto Haddad creditou a maior parte do mérito à Receita Federal.
Haddad criticou a gestão de Bolsonaro, mencionando o escândalo de corrupção no Banco Central e a nomeação de Roberto Campos Neto. Tarcísio, por sua vez, alertou sobre os altos gastos públicos e a necessidade de um arcabouço fiscal mais rigoroso para evitar uma nova recessão.
O debate também abordou a política de desestatização do governo Tarcísio, com Haddad afirmando que o estado estava sendo tomado por uma “onda privatista”. Tarcísio defendeu suas ações, argumentando que as privatizações são essenciais para atrair investimentos e melhorar os serviços públicos, citando avanços na universalização do saneamento em Guarulhos.
A polarização entre os candidatos e a ênfase em temas como segurança e gestão pública refletem o cenário político acirrado que se aproxima das eleições de 2026, onde as estratégias e legados dos governos anteriores continuam a influenciar o debate atual.



