Santa Catarina está em alerta quanto ao futuro de sua malha ferroviária, que pode ser drasticamente reduzida em até 41% se o modelo de fatiamento proposto pelo governo federal para a Malha Sul for mantido. O aviso foi dado durante uma audiência pública realizada em Florianópolis, onde representantes do estado e da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) se reuniram com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Ministério dos Transportes. O objetivo da audiência foi discutir a nova concessão da Malha Sul, que está prevista para substituir o contrato da Rumo Malha Sul a partir de 2027.
O modelo atual, que opera como um bloco único, é criticado por ter contribuído para o sucateamento e abandono de linhas. A proposta do governo federal, elaborada pela Infra S.A., sugere a divisão da malha ferroviária em três corredores independentes: o corredor Paraná–Santa Catarina, o corredor Rio Grande e o corredor Mercosul. Cada um desses corredores será licitado em um único certame, mas com contratos próprios e um sistema de investimentos cruzados.
O corredor Paraná–Santa Catarina, considerado o mais lucrativo, terá a responsabilidade de transferir recursos para viabilizar os outros dois corredores, que enfrentam desafios financeiros. A proposta prevê um total de R$ 14,4 bilhões em investimentos privados e R$ 38,6 bilhões em custos operacionais ao longo de 30 anos, com uma parte significativa destinada à recuperação de trilhos danificados.
Entretanto, representantes catarinenses expressaram preocupações sobre a falta de infraestrutura e a possibilidade de encolhimento da malha ferroviária. Atualmente, apenas 17% da malha ferroviária do estado está em operação, e a proposta não garante conexões com portos estratégicos, o que mantém a dependência do transporte rodoviário em corredores já saturados.
Maurício Battistella, presidente do Conselho de Transportes da Fiesc, criticou o projeto, afirmando que ele não atende às necessidades de escoamento do estado e não traz melhorias reais. O procurador-geral do estado, Marcelo Mendes, também se manifestou, pedindo um corredor próprio que atenda às demandas econômicas de Santa Catarina, em vez de diluir a rede ferroviária entre lotes de viabilidade questionável.
A deputada federal Caroline De Toni destacou a importância de uma linha ferroviária eficiente para a produção agroindustrial da região oeste de Santa Catarina, que depende de insumos e da exportação de seus produtos. Ela enfatizou a necessidade de rever o projeto da Malha Sul para garantir que o estado seja valorizado por suas contribuições econômicas.
A audiência em Florianópolis foi parte de um esforço mais amplo do Codesul, que reúne os estados do Sul do Brasil, para mobilizar apoio e discutir a nova modelagem da malha ferroviária. Os representantes do estado de Santa Catarina insistem na urgência de um modelo que não apenas mantenha, mas também expanda a infraestrutura ferroviária, garantindo a competitividade e o desenvolvimento econômico da região.




