O governo Trump anunciou a revogação do visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, em um movimento que acirra as tensões diplomáticas entre os dois países. A decisão foi divulgada na terça-feira (3), apenas dez dias após o Itamaraty ter negado vistos a funcionários americanos que planejavam visitar o Brasil para discutir as eleições. Em uma coletiva de imprensa, um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA afirmou que a revogação do visto de Viotti poderá ser revertida caso o Brasil aprove a nomeação de Daniel Perez como novo embaixador americano em Brasília. Até o momento, o governo Lula não se manifestou sobre essa autorização, conhecida como agrément. Apesar da revogação, o porta-voz esclareceu que Viotti não será expulsa dos Estados Unidos, mas permanecerá no país sem um visto válido, o que impede que ela desempenhe suas funções diplomáticas. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil não respondeu aos pedidos de comentário até a última atualização da matéria. Além disso, o Departamento de Estado não descartou a possibilidade de novas sanções contra o Brasil. O histórico de tensões entre os dois países inclui a negativa de visto a Darren Beattie, conselheiro sênior para o Brasil, que tinha como objetivo participar de um evento sobre minerais críticos. A situação se complica ainda mais com a negativa recente de vistos a membros do Departamento de Estado, que foram recusados sob suspeita de interferência nas eleições brasileiras. Marco Rubio, chefe do Departamento de Estado, é um crítico ferrenho da esquerda na América Latina e já confrontou o governo Lula em diversas ocasiões. Após o anúncio do USTR (Escritório do Comércio dos EUA) sobre novas tarifas contra o Brasil, Rubio comentou que “o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé”. Ele ainda acrescentou que as políticas econômicas do governo brasileiro são prejudiciais tanto para os americanos quanto para os brasileiros, afirmando que Lula priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que beneficiasse a população. Os EUA solicitaram ao Brasil a autorização para nomear Perez um mês após a Casa Branca ter oficializado sua indicação. Essa abordagem rompeu com a prática tradicional, onde o país que indica um embaixador consulta previamente a nação anfitriã. Esse gesto provocou desconforto no Palácio do Planalto, onde membros do governo Lula afirmam que não há pressa para conceder o agrément, uma vez que consideram que Washington agiu de forma precipitada ao divulgar o nome do novo embaixador antes de seguir os trâmites normais. O clima de incerteza nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos continua a se intensificar, refletindo as complexidades da política internacional contemporânea.




