O número de migrantes que perderam a vida na tentativa de entrar em Ceuta, enclave espanhol no norte da África, subiu para 72, conforme o último balanço divulgado pelo governo local neste domingo (2). A tragédia se desenrolou em meio a uma crise migratória sem precedentes, com quase 60 mil pessoas tentando cruzar a fronteira na última semana.
A maioria dos migrantes que conseguiram entrar no território já retornou ao Marrocos, segundo as autoridades. O delegado do governo em Ceuta, Miguel Ángel Pérez Triano, afirmou que a maioria das mortes foi causada por afogamentos, além de pisoteamentos que também resultaram em vítimas. Neste domingo, a polícia e as tropas espanholas intensificaram a patrulha nas ruas do enclave, que tenta voltar à normalidade após o fluxo repentino de migrantes.
A situação gerou uma crise internacional para a Espanha, com vários aliados europeus criticando Madri por suas políticas de imigração. O Papa fez uma breve menção à crise durante a bênção do Angelus, expressando preocupação com a alarmante situação em Ceuta e pedindo por soluções pacíficas e justas.
Pequenas embarcações de resgate monitoraram as águas ao redor de uma nova cerca fronteiriça, que foi instalada no sábado para reforçar a segurança. A barreira de 500 metros, equipada com boias, visa dificultar novas tentativas de travessia.
O governo espanhol atribuiu a crise a grupos criminosos que disseminaram informações falsas sobre uma recente decisão do Supremo Tribunal que facilitaria a entrada de migrantes. Analistas também sugerem que o Marrocos pode ter permitido a travessia como uma forma de pressão diplomática sobre a Espanha, que recentemente melhorou suas relações com a Argélia, rival de Rabat.
A União Europeia anunciou uma reunião por videoconferência para discutir a situação, após 22 membros do bloco pedirem uma resposta coordenada para evitar novas entradas descontroladas de migrantes. A Itália, por sua vez, suspendeu temporariamente o acordo de Schengen com a Espanha, que permite a livre circulação entre os países europeus.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, criticou a reação de alguns países da UE, classificando-a como “egoísta”. A situação em Ceuta continua a ser monitorada, enquanto as autoridades tentam lidar com as consequências dessa crise humanitária.



