Post: Mudanças climáticas e novas demandas moldam a produção de café no Brasil

Mudanças climáticas e novas exigências estão transformando a produção de café no Brasil, exigindo adaptações e novas tecnologias.
Mudanças climáticas e novas demandas moldam a produção de café no Brasil

A produção de café no Brasil enfrenta um momento de transformação, impulsionado por um aumento das temperaturas, eventos climáticos extremos e a crescente preocupação dos consumidores com a sustentabilidade. Esses fatores estão obrigando os produtores a se adaptarem para manter a qualidade e a produtividade do grão, além de atender às novas exigências do mercado.

Com a recente alta nos preços do café, decorrente de quebras de safra, os desafios se intensificam. O pesquisador em Agrometeorologia e Climatologia da Embrapa, Williams Ferreira, destaca que as mudanças climáticas podem impactar a planta de diversas maneiras. “Déficit hídrico em fases sensíveis, como a floração, e estresse térmico podem resultar em abortamento e grãos mal formados”, explica.

Essas alterações não afetam apenas as lavouras, mas também refletem no comportamento do consumidor. Simão Pedro de Lima, diretor presidente da Expocacer, aponta que o aumento dos preços nos últimos três anos levou muitos consumidores a repensarem seus hábitos. “A geração Z, por exemplo, está cada vez mais atenta às práticas de produção, buscando produtos que sejam ambientalmente corretos e socialmente justos”, afirma.

Diante desse cenário, técnicas inovadoras têm sido exploradas. A técnica do café sombreado, que reduz a temperatura nas lavouras, é uma das alternativas em destaque. A pesquisadora Patrícia Santoro, do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), menciona que o Sistema Agroflorestal, que combina o cultivo de café com árvores, é uma prática já adotada em 40% da produção mundial. Em países como a Etiópia, esse percentual chega a quase 100%.

“O cultivo a pleno sol se consolidou no Brasil devido à disponibilidade de mão de obra na época em que o café foi introduzido. No entanto, pesquisas indicam que o Sistema Agroflorestal pode reduzir a temperatura das folhas do cafeeiro em até 13 graus Celsius”, explica Santoro.

Apesar das vantagens, Lima alerta que a tecnologia não é uma solução universal. “Cada país possui características naturais e estruturais diferentes, o que pode influenciar a adoção de sistemas agroflorestais”, ressalta.

Outra alternativa em estudo é a expansão do cultivo para regiões mais frias do Sul do Brasil. Em Pato Branco, no Paraná, experimentos estão sendo realizados para avaliar o cultivo sob temperaturas médias de 18 graus Celsius, utilizando a técnica do café sombreado para mitigar os riscos de geada.

A cafeicultora Elesandra Beloni, que possui uma propriedade em Patrocínio, Minas Gerais, acredita que a migração para novas áreas não significa abandonar as regiões tradicionais. “Temos muito mais conhecimento e tecnologia hoje, o que nos permite adaptar as lavouras sem deixar para trás as áreas já plantadas”, afirma.

Ela também destaca a importância da agricultura regenerativa, que visa melhorar a saúde do solo e a eficiência do sistema produtivo. “Práticas como cobertura do solo e uso de bioinsumos são essenciais para enfrentar os desafios climáticos, tornando o sistema mais resiliente”, conclui.

Os especialistas concordam que as mudanças na produção de café são inevitáveis e que, para garantir a sustentabilidade e a produtividade, é fundamental que os produtores adotem novas práticas e tecnologias. O futuro do café brasileiro depende da capacidade de adaptação às novas realidades climáticas e às exigências de um consumidor cada vez mais consciente.

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