O futuro de Gianni Infantino à frente da Fifa, entidade que comanda o futebol mundial, tornou-se incerto após sua decisão de abandonar um plano polêmico de criar uma nova entidade comercial e vender participação a investidores. O presidente da Fifa, que está no cargo há uma década, anunciou que o esquema de investimento foi descartado, afirmando que havia “criado divisões” dentro do futebol, prejudicando os objetivos do projeto. Essa mudança de rumo ocorreu após intensas críticas, com 55 países europeus ameaçando boicotar competições da Fifa até que o plano fosse cancelado.
Embora a desistência possa aliviar a pressão imediata sobre Infantino, ela não elimina a incerteza sobre sua continuidade no cargo. Um alto dirigente do futebol expressou: “Ele tem que sair. Chega”. A Uefa, que governa o futebol europeu, declarou ter “perdido a confiança” na liderança atual da Fifa, ressaltando a necessidade de responsabilização dos envolvidos no plano. A entidade considerou o fim do projeto uma vitória para o esporte, mas alertou que a reconstrução da confiança na Fifa apenas começou.
A federação de futebol da Inglaterra também pediu uma revisão completa da liderança da Fifa. Em resposta à situação, Infantino reafirmou sua intenção de permanecer no cargo e convocar as partes interessadas para um diálogo no futuro próximo. Alguns observadores acreditam que ele tentará se manter na presidência até a eleição do próximo ano, onde inicialmente não havia previsão de oposição à sua candidatura. Durante a Copa do Mundo, sua reeleição foi amplamente apoiada pelos 211 membros da Fifa.
Infantino pode contar com seu histórico de aumentos significativos nos pagamentos anuais aos membros da Fifa, que passaram de US$ 250 mil para US$ 2 milhões, para justificar sua permanência no cargo. No entanto, o plano de investimento que foi abandonado previa um aumento nos pagamentos anuais para US$ 5 milhões, além de um pagamento inicial de US$ 20 milhões, destinado a fortalecer o futebol em regiões que necessitam de apoio financeiro.
Enquanto isso, a Uefa anunciou que realizará uma revisão abrangente sobre os eventos recentes e desenvolverá um plano para evitar que situações semelhantes ocorram no futuro. A entidade enfatizou que nenhuma opção deve ser descartada, sinalizando que a situação de Infantino ainda está longe de ser resolvida. O clima de incerteza continua, e a pressão sobre o presidente da Fifa só tende a aumentar nos próximos meses.



