O empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, foi condenado a 36 anos de prisão pelos assassinatos de sua ex-companheira, Thays Machado, e de Willian César Moreno, namorado da vítima. A decisão foi proferida pelo Tribunal do Júri de Cuiabá na última sexta-feira (31), após um julgamento que enfrentou diversos adiamentos e recursos da defesa.
O Conselho de Sentença reconheceu que Carlinhos cometeu homicídio qualificado contra Thays Machado, considerando motivos torpes, o uso de meio cruel e um recurso que dificultou a defesa da vítima, além de caracterizar o crime como feminicídio. Em relação a Willian César Moreno, os jurados também identificaram as mesmas qualificadoras, reforçando a gravidade dos atos cometidos.
A juíza Mônica Perri Siqueira, ao fixar a pena em 36 anos de reclusão, determinou a execução imediata da condenação e negou ao empresário o direito de recorrer em liberdade, mantendo-o sob custódia.
Durante o interrogatório, Carlinhos Bezerra admitiu ter disparado contra o casal, mas alegou ter agido em legítima defesa, uma tese que foi rejeitada pelos jurados. Em seu depoimento, o empresário relatou que manteve um relacionamento de aproximadamente três anos e sete meses com Thays Machado, afirmando que o término ocorreu após desentendimentos no final de 2022.
O crime aconteceu na tarde de 18 de janeiro de 2023, em frente ao edifício Solar Monet, em Cuiabá, onde reside a mãe de Thays. De acordo com as investigações, Carlinhos perseguiu a ex-companheira, monitorou sua rotina e abordou o casal ao chegarem ao local. Imagens de câmeras de segurança mostraram o momento em que o empresário, dirigindo um Renault Kwid, manobrou para se aproximar das vítimas e disparou várias vezes. Thays e Willian morreram no local.
Após o crime, Carlinhos Bezerra fugiu, mas foi localizado e preso poucas horas depois em uma fazenda da família, no município de Campo Verde. A defesa ainda pode recorrer da condenação, mas o empresário permanecerá detido por determinação judicial.
O julgamento de Carlinhos Bezerra teve início em 21 de julho, mas foi suspenso após os advogados do empresário abandonarem o plenário, alegando cerceamento do direito de defesa. A juíza Mônica Perri Siqueira remarcou a sessão para 31 de julho, exigindo que o réu constituísse nova defesa, sob pena de ser assistido pela Defensoria Pública.
Antes da retomada do júri, a defesa tentou suspender o julgamento por meio de um recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF), alegando suposta parcialidade da magistrada. No entanto, o pedido não foi acolhido a tempo de evitar a realização da sessão. Após dois dias de julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu a autoria e as qualificadoras dos crimes, resultando na condenação de Carlinhos Bezerra a 36 anos de prisão. A juíza determinou o cumprimento imediato da pena e negou o direito de recorrer em liberdade.




