O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta quarta-feira (29), um pacote de R$ 1,3 bilhão destinado a preparar o Brasil para os impactos do fenômeno El Niño, que promete ser um dos mais intensos dos últimos anos, especialmente a partir da metade do segundo semestre. O plano, elaborado em conjunto com diversos ministérios, inclui ações de combate a incêndios, aquisição de alimentos, monitoramento climático e atendimento às populações mais vulneráveis. Os recursos foram alocados a partir de uma folga no Orçamento, segundo informações do governo.
Durante uma reunião interministerial, Lula destacou a importância da preparação: “O El Niño vai acontecer em breve. Nós estamos preparados. Se ele não acontecer, valeu a intenção de se preparar para enfrentar alguma coisa grave.” A maior parte do investimento, cerca de R$ 850 milhões, será direcionada para a formação de estoques de milho e arroz, enquanto R$ 337 milhões serão aplicados em ações de prevenção e combate a incêndios, especialmente nos estados do Pará, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Tocantins.
O pacote também prevê R$ 65 milhões para a distribuição de 350 mil cestas básicas, R$ 45 milhões para ações de saúde, R$ 25 milhões para o monitoramento dos rios e R$ 13 milhões para apoiar agricultores da Região Norte. Para coordenar as medidas federais, foi criada uma Sala de Situação do El Niño, que acompanhará a evolução do fenômeno.
Na esfera ambiental, o plano visa reforçar o combate aos incêndios nas áreas mais suscetíveis, com a aquisição de novas aeronaves, helicópteros, veículos e bases operacionais. A estratégia contará com o apoio das Forças Armadas, do Ibama, do ICMBio, da Funai, da Polícia Rodoviária Federal e dos governos estaduais em operações de emergência.
O fenômeno El Niño é caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, resultando em chuvas intensas na região Sul e secas no Norte e Nordeste do Brasil. Apesar das previsões, o governo acredita que os reservatórios dessas regiões devem manter níveis adequados de água até 2026, embora atrasos nas precipitações possam ter reflexos em 2027.
No Sul, a atenção será voltada para o monitoramento de chuvas intensas, reforço da Defesa Civil e obras em barragens e diques. Já no Sudeste, o foco será no acompanhamento dos sistemas de abastecimento de água e dos principais reservatórios. Além disso, o governo ampliará o número de cestas básicas destinadas a indígenas, quilombolas, ribeirinhos, pescadores artesanais e agricultores familiares, passando de 160 mil para 350 mil.
Na área da saúde, centros especializados serão criados para monitorar os efeitos de ondas de calor, secas, incêndios e chuvas intensas, com o objetivo de orientar as ações do Sistema Único de Saúde (SUS).




