O governo brasileiro, sob a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva, expressou preocupação em relação às declarações do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, que afirmou que o país não realizará mais eleições. Em nota divulgada pelo Itamaraty nesta quinta-feira (23), o Brasil reiterou a importância de eleições livres e democráticas como um pilar fundamental da democracia. O comunicado enfatiza que o Brasil tem um compromisso profundo com a democracia e conclama as autoridades nicaraguenses a garantirem o direito de voto ao seu povo. “A realização de eleições livres, periódicas, plurais e transparentes é um dos esteios da democracia”, destaca a nota do Ministério das Relações Exteriores. As declarações de Ortega ocorreram durante uma cerimônia em comemoração à Revolução Sandinista, onde ele declarou: “Esqueçam! Não haverá mais eleições aqui para que eles possam tentar tomar o governo”. Essa fala foi uma resposta ao que ele chamou de “partidos políticos criados pelos ianques”. Três dias após essa declaração, a Assembleia Nacional da Nicarágua, dominada por aliados de Ortega, anunciou que iniciaria análises para desenvolver um plano de trabalho alinhado com as orientações presidenciais. Essa iniciativa já era esperada, dado que a separação de Poderes na Nicarágua é amplamente considerada uma fachada. Um exemplo disso é a reforma constitucional aprovada em 2014, que permitiu a reeleição indefinida, já previamente autorizada pela Suprema Corte, também controlada por Ortega. Em 2025, outra reforma constitucional conferiu à esposa de Ortega, Rosario Murillo, o título de copresidente, uma estratégia vista como forma de manter a família no poder, especialmente considerando a fragilidade da saúde do líder de 80 anos. Em 2021, Lula, então fora da presidência, aconselhou Ortega a “não abrir mão” da democracia, em uma entrevista à TV mexicana. Essa foi a primeira vez que Lula se posicionou em relação à ditadura na Nicarágua, que já havia detido sete candidatos à presidência e outros 24 membros da oposição e da imprensa desde maio daquele ano. Historicamente, Lula e Ortega tiveram uma relação próxima durante os primeiros mandatos do nicaraguense, mas essa dinâmica se deteriorou nos últimos anos, refletindo a crescente repressão política na Nicarágua.




