As eleições de outubro trazem um cenário complexo no Maranhão, onde a polarização política não se aplica de forma simples. Enquanto a lógica nacional divide candidatos de esquerda e direita, o estado revela uma disputa familiar que promete ser mais centrada. Com as convenções partidárias em andamento, a disputa se desenha entre o candidato do MDB, apoiado pelo atual governador Carlos Brandão, e a oposição representada pelo candidato do PSD, Eduardo Braide.
O rompimento entre Brandão e seu ex-aliado, o ministro Flávio Dino, marca um ponto crucial na política maranhense. Brandão, que decidiu permanecer no cargo até o final de seu mandato em dezembro de 2026, busca evitar que seu vice, Felipe Camarão, do PT, utilize a estrutura governamental para sua candidatura. A aliança entre Brandão e Orleans Brandão, sobrinho e ex-secretário estadual, se fortalece, enquanto Camarão tenta manter viva a herança política de Dino, que governou o Maranhão por dois mandatos.
O descontentamento entre os grupos se intensificou devido a questões relacionadas ao Tribunal de Contas do Estado, onde a falta de consenso nas indicações contribuiu para a ruptura. A divulgação de gravações envolvendo aliados de Dino também foi um fator determinante para o rompimento definitivo. Eduardo Braide, que renunciou ao cargo de prefeito de São Luís para concorrer ao governo, tem se destacado nas pesquisas eleitorais, liderando as intenções de voto com 44%, enquanto Orleans Brandão aparece em segundo com 31%. O candidato do PT, Felipe Camarão, segue em terceiro, com 9% das intenções. Braide adota uma postura independente, tentando atrair tanto apoiadores de Bolsonaro quanto de Lula, enquanto Orleans se apresenta como a continuidade do governo atual.
A disputa familiar entre os primos Brandão e Braide é marcada por laços de sangue e rivalidades políticas. Orleans Brandão, sobrinho do governador, conta com o apoio de prefeitos e deputados, enquanto Braide, ex-deputado e ex-prefeito, busca consolidar sua imagem de candidato independente. As convenções partidárias estão programadas até o início de agosto, e a expectativa é de que novas candidaturas surjam, especialmente entre os partidos de esquerda.
As pesquisas indicam que, em um possível segundo turno, Braide lidera com 52% contra 38% de Orleans Brandão. O cenário eleitoral no Maranhão se mostra dinâmico, com a possibilidade de novas alianças e candidaturas que podem alterar o rumo das eleições. Com a proximidade das convenções, a política maranhense promete ser palco de intensas movimentações até o dia da votação.




