O preço do diesel S-10 nos postos brasileiros registrou um aumento significativo nas últimas semanas, refletindo a escalada dos custos internacionais devido à retomada da guerra no Irã e à ameaça de interrupção das exportações americanas. Dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) indicam que, em apenas um mês, o valor do combustível subiu 7%, ou R$ 0,47 por litro, alcançando R$ 7,35 na última semana, o maior preço desde abril. Importadores afirmam que essa alta é consequência direta do aumento das cotações internacionais, que se intensificaram com a guerra no Irã e a redução da oferta global, especialmente com o fechamento de refinarias no Oriente Médio e na Rússia, afetadas pela guerra na Ucrânia. Atualmente, as refinarias americanas se tornaram a principal alternativa de suprimento para o Brasil, respondendo por 80% das importações do diesel. “Os estoques de diesel estão muito baixos no mundo inteiro. Com isso, a oferta cai e o produto fica supervalorizado”, explica Sergio Araújo, presidente da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis). Além disso, o custo para importar o diesel também subiu 7% no mesmo período, com o valor de paridade de importação no porto de Paulínia alcançando R$ 6,70 por litro. O Brasil importa cerca de 30% do seu consumo de diesel, enquanto o restante é fornecido pela Petrobras e pela refinaria privada Acelen. A Petrobras aumentou o preço do diesel em suas refinarias há duas semanas, mas o ajuste foi compensado por um novo subsídio criado pelo governo. A Acelen, que atende principalmente a região Nordeste, tem realizado reajustes mais frequentes, com um aumento médio de R$ 0,50 por litro em setembro e outro reajuste similar no início de outubro. Esses aumentos, somados ao subsídio de R$ 1,12 por litro concedido pelo governo, totalizam um impacto significativo nos custos. Até agora, o governo já gastou mais de R$ 15 bilhões em subsídios para mitigar os efeitos do aumento do preço do diesel.



