Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (20) a imposição de tarifas de 50% sobre uma ampla gama de produtos provenientes do Canadá, uma medida que pode reacender a guerra comercial entre os dois países. A decisão foi justificada por autoridades do governo americano, que acusaram o Canadá de práticas comerciais desleais, incluindo a suspensão da compra de bebidas alcoólicas americanas e a imposição de tarifas sobre veículos dos EUA.
A nova taxa, que entrará em vigor em 30 dias, afetará produtos como leite, bebidas alcoólicas, roupas e móveis. Embora algumas categorias, como energia e minerais críticos, estejam isentas, a medida representa um golpe significativo para o comércio bilateral, que totalizou US$ 716 bilhões no ano passado, tornando o Canadá o segundo maior parceiro comercial dos EUA.
O governo de Donald Trump fundamentou a imposição das tarifas na Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, que permite a aplicação de taxas em resposta a discriminações comerciais. Um funcionário do alto escalão do governo afirmou que apenas a China e o Canadá retaliaram os EUA no início da política comercial do presidente, destacando a tensão crescente entre os países.
Essas tarifas surgem em um momento em que as relações comerciais já estavam sob tensão, especialmente após a decisão da Suprema Corte dos EUA em fevereiro, que havia derrubado tarifas emergenciais globais. A ausência de isenções para produtos que cumprem os termos do Acordo Estados Unidos-México-Canadá de 2020 também levanta preocupações sobre o impacto econômico que essa nova medida poderá ter para o comércio entre os países.
Além disso, a situação é ainda mais complexa devido a recentes ameaças de Trump relacionadas a incêndios florestais no Canadá, que afetaram a qualidade do ar em várias regiões dos EUA. Contudo, as tarifas anunciadas nesta segunda-feira são distintas das taxas ameaçadas por conta dos incêndios, focando na discriminação contra produtos americanos.
Com a implementação dessas tarifas, o cenário comercial entre os EUA e o Canadá poderá se agravar, levando a uma nova rodada de negociações e tensões entre os dois países, que têm uma longa história de interdependência econômica e desafios comerciais.




