A relação entre Israel e o ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad ganhou novos contornos em um plano audacioso que visava sua possível reinstalação no poder em Teerã. Segundo informações de autoridades americanas e iranianas, Israel buscou Ahmadinejad como um ativo de inteligência, com o objetivo de derrubar o regime atual do Irã. O plano, que envolveu encontros secretos entre Ahmadinejad e agentes de inteligência israelenses, culminou em uma operação que levou o ex-líder a viver sob vigilância estrita após a descoberta de suas interações com Israel.
Em 2024, a Universidade Ludovika, em Budapeste, foi palco de uma conferência sobre mudanças climáticas que, na verdade, serviu como fachada para discussões secretas entre Ahmadinejad e representantes israelenses. O reitor da universidade, Gergely Deli, acreditava que facilitar o diálogo entre os dois lados poderia ser uma forma de salvar vidas, apesar dos riscos à sua reputação.
A operação israelense para recrutar Ahmadinejad foi tão significativa que o então chefe de espionagem de Israel, David Barnea, viajou a Budapeste para se encontrar com ele. Com o apoio da CIA, o Mossad manteve contato com o ex-presidente, que, nos últimos anos, recebeu apoio financeiro de Israel para sua moradia e viagens.
O plano de mudança de regime se intensificou em fevereiro de 2026, durante a escalada do conflito entre EUA, Israel e Irã. Um ataque aéreo israelense visou o complexo residencial de Ahmadinejad, que estava sob vigilância. Após o ataque, um carro, supostamente conduzido por agentes do Mossad, retirou Ahmadinejad do local, levando-o para um esconderijo secreto no Irã.
No entanto, o ex-presidente ficou desiludido com a operação e deixou o esconderijo em circunstâncias incertas. Desde então, ele não foi visto em público até uma breve aparição em um cortejo fúnebre, e sua situação permanece nebulosa. Informações indicam que ele está sob custódia da Guarda Revolucionária, em prisão domiciliar, enquanto o regime iraniano investiga suas interações com Israel.
A tentativa de Israel de reinstalar Ahmadinejad como líder do Irã representa uma reviravolta notável nas relações entre os dois, considerando o histórico de Ahmadinejad, que incluiu declarações de destruição de Israel e a aceleração do programa nuclear iraniano. Nos anos seguintes à sua presidência, no entanto, ele moderou suas opiniões e se mostrou mais aberto ao diálogo, o que pode ter contribuído para o interesse de Israel em sua possível reinstalação.
O plano de mudança de regime também envolvia o treinamento de forças de oposição curdas iranianas para cruzar a fronteira e avançar em direção a Teerã, embora essa parte da operação não tenha se concretizado. O ex-chefe de inteligência militar de Israel, Tamir Hayman, descreveu o plano como uma sequência de operações especiais que incluíam Ahmadinejad como figura central. Até o momento, o Mossad não comentou oficialmente sobre o assunto, e o porta-voz de Ahmadinejad se recusou a fazer declarações.




