O Banco de Brasília (BRB) completou um ano sem divulgar seus resultados financeiros, após o escândalo envolvendo o Banco Master. Desde o último balanço, apresentado no segundo trimestre de 2025, os relatórios operacionais estão represados, gerando incertezas sobre o impacto das operações fraudulentas na instituição. A expectativa de apresentar o balanço consolidado do ano passado, que deveria ocorrer no dia 30 de junho, não se concretizou, e o BRB se aproxima do prazo limite estabelecido com o Banco Central para solucionar sua crise de capital e liquidez.
Em 6 de fevereiro, o BRB enviou ao Banco Central um plano com ações preventivas para recomposição de capital, com um prazo de 180 dias, que se encerra em 5 de agosto. Apesar da urgência, especialistas do mercado financeiro apontam que as iniciativas do banco e do governo do Distrito Federal têm avançado lentamente. A crítica é especialmente direcionada ao governo, que não demonstrou capacidade de gerar receitas suficientes para honrar os pagamentos do empréstimo solicitado.
Em nota, a Secretaria de Economia do Distrito Federal informou que a operação está sendo ajustada junto ao sindicato de bancos, que fornecerá o aval necessário, e pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que financiará a operação. Segundo a secretaria, o governo está pronto para assinar o contrato, mas depende dos trâmites das instituições financeiras, sem um prazo legal definido para a conclusão.
O BRB estima que necessitará de R$ 8,8 bilhões para o provisionamento, mas o governo do DF, controlador da instituição, não possui os recursos em caixa para realizar o aporte e busca alternativas de captação. O governo solicitou um empréstimo ao FGC de até R$ 6,6 bilhões, porém os termos da operação ainda estão sendo negociados e não contarão com o aval da União.
O plano de socorro foi elaborado após a governadora Celina Leão (PP) solicitar mediação ao ministro Luiz Fux, do STF, com o governo federal. Ficou acordado que os principais bancos públicos e privados do país servirão como fiadores da operação, garantindo os pagamentos em caso de inadimplência do Distrito Federal. Em contrapartida, o DF oferecerá receitas do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) como contragarantias.
As condições do empréstimo propostas pelo DF incluem uma taxa de juros atrelada ao IPCA, mas as negociações ainda estão em andamento. O cenário atual do BRB levanta preocupações sobre a transparência e a saúde financeira da instituição, enquanto o prazo para a resolução da crise se aproxima rapidamente.




