No sertão paraibano, a cidade de Monte Horebe, com seus 4.300 habitantes, passou por uma transformação significativa desde 2017, quando a educação se tornou o eixo central de sua recuperação. Após anos de escândalos de corrupção e sucateamento dos serviços públicos, a comunidade decidiu que a mudança começaria pelas escolas. Um dos principais responsáveis por essa guinada foi o Instituto Brasil Solidário (IBS), que introduziu o letramento financeiro nas instituições de ensino da cidade. Maria Valentina Barbosa, de 10 anos, é um exemplo vivo dessa mudança. Antes, quando acompanhava sua mãe às compras, sonhava em adquirir tudo o que via. Hoje, ela guarda cada centavo que recebe em um cofrinho, resultado de suas vendas de porta-retratos feitos de papelão reciclado. A jovem não apenas aprendeu sobre a importância de economizar, mas também passou a ensinar sua mãe, Rosana Barbosa, 35 anos, sobre cálculos e gestão financeira. “Aprendi a manter uma reserva, assim como ela. Guardo no mínimo 10% do que ganho todos os meses com as vendas de ovos, galinhas, feijão e milho”, conta Rosana, refletindo sobre a mudança nos hábitos da família. Na Escola Municipal Santa Terezinha, onde Maria Valentina estuda, o aprendizado sobre gestão do dinheiro é feito de forma lúdica, com jogos e atividades que envolvem todos os níveis de ensino, desde a primeira infância até a Educação de Jovens e Adultos. “Os professores discutem a importância do dinheiro na vida cotidiana e nas decisões envolvendo recursos públicos”, explica Márcia Nogueira, pedagoga e coordenadora geral da Secretaria de Educação do município. Esse novo enfoque educacional não apenas transformou a vida dos alunos, mas também impactou suas famílias e, por consequência, toda a comunidade. A educação financeira se espalhou, promovendo uma nova cultura de responsabilidade e planejamento. Entretanto, a realidade de Monte Horebe nem sempre foi tão promissora. Até 2017, a cidade enfrentava sérios problemas, incluindo a falta de creches e o desvio de verbas destinadas às escolas. O município estava com o “nome sujo” junto ao governo federal, o que impedia a captação de recursos. “Encontramos a cidade com uma situação crítica, cheia de lixo e sem serviços básicos funcionando adequadamente. A corrupção havia tomado conta”, relembra um dos moradores. A mudança começou quando a nova gestão decidiu priorizar a educação e envolver a população nas decisões municipais. Com o apoio de ONGs e da própria comunidade, Monte Horebe começou a reverter seu quadro. A educação se tornou uma ferramenta poderosa de transformação social, trazendo esperança e novas perspectivas para seus habitantes. Hoje, Monte Horebe é um exemplo de como a educação pode ser um motor de mudança, mesmo em um cenário marcado pela corrupção e pela falta de recursos. A cidade, que antes era sinônimo de escândalos, agora é um modelo de resiliência e inovação, mostrando que a transformação é possível quando a comunidade se une em torno de um objetivo comum.




