A recente intervenção de Donald Trump para que a Fifa reconsiderasse a suspensão do atacante Folarin Balogun adicionou mais um capítulo à lista de escândalos que cercam as Copas do Mundo. Durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos confirmou que pediu a revisão do cartão vermelho que poderia afastar Balogun do jogo contra a Bélgica, pelas oitavas de final. A ligação foi confirmada pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino.
Esse episódio não é isolado; ao longo da história das Copas do Mundo, diversas situações controversas surgiram, envolvendo desde interferências políticas até decisões polêmicas de arbitragem. O torneio, que chega à sua 23ª edição, teve seu primeiro evento realizado em 1930, no Uruguai. Curiosamente, a seleção uruguaia, a primeira a conquistar o título, é também a única a não ter participado de uma edição seguinte, que ocorreu na Itália sob o regime fascista de Benito Mussolini, que enfrentou um boicote por parte de várias nações sul-americanas, exceto Brasil e Argentina.
Em 1934, Mussolini não hesitou em determinar quem apitaria o jogo entre a Itália e a Áustria, que era considerada uma das melhores seleções da época. O árbitro sueco Ivan Eklind, escolhido pelo regime, foi parte de um lance polêmico na semifinal. Durante a partida, um erro de arbitragem resultou em um gol da Itália que garantiu sua presença na final, onde venceram a Tchecoslováquia. Historiadores consideram essa edição uma operação de propaganda do regime fascista.
Outro caso emblemático é o da Copa do Mundo de 1978, na Argentina, sob a ditadura de Jorge Rafael Videla. O país buscava melhorar sua imagem internacional em meio a um regime de repressão. Na fase de grupos, a Argentina precisava vencer o Peru por quatro gols para avançar à final. O resultado foi uma vitória impressionante de 6 a 0, que levantou suspeitas de manipulação. O goleiro peruano da época, Ramón Quiroga, anos depois, admitiu que houve conluio para favorecer os anfitriões.
Esses exemplos, junto ao recente episódio envolvendo Trump, revelam como a política e o esporte muitas vezes se entrelaçam de maneiras controversas, levantando questões sobre a integridade das competições esportivas. À medida que a Copa do Mundo de 2026 se aproxima, as lições do passado permanecem relevantes, servindo como um lembrete de que o futebol, embora um esporte amado, não está imune a influências externas e interesses políticos.



