A Oncoclínicas, maior rede privada de tratamento oncológico do Brasil, enfrentou um revés significativo em suas tentativas de reestruturação financeira. As assembleias convocadas para debater um possível plano de recuperação extrajudicial não conseguiram atingir o quórum mínimo necessário para a instalação. Realizadas na terça-feira (6), as reuniões contaram com a presença de apenas 0,43% e 1,19% dos credores, respectivamente, o que inviabilizou a discussão sobre a reestruturação de uma dívida total de R$ 1,5 bilhão, distribuída em duas emissões de debêntures com vencimentos entre 2027 e 2029.
A expectativa era de que a empresa protocolasse um pedido de recuperação extrajudicial até esta sexta-feira (10), mas a falta de aprovação do plano de reestruturação complicou essa possibilidade. As atas das reuniões, divulgadas nesta quarta-feira (8), revelam a baixa adesão dos debenturistas, o que levanta preocupações sobre a viabilidade financeira da companhia.
A recuperação extrajudicial é uma alternativa que permite às empresas negociar diretamente suas obrigações com grupos de credores, sem a necessidade de intervenção judicial. Contudo, caso essas negociações não sejam bem-sucedidas, a empresa pode ser forçada a buscar uma recuperação judicial, que envolve a Justiça de maneira mais direta. Para se ter uma ideia da gravidade da situação, em uma assembleia anterior, realizada em maio, a Oncoclínicas obteve um quórum de 84,5% para aprovar contratações de assessores jurídicos e financeiros, evidenciando a queda acentuada na participação dos credores.
Além disso, em junho, uma rodada de negociações com os debenturistas da 11ª emissão também não obteve sucesso, com apenas 5,1% dos detentores de papéis participando e nenhum item sendo aprovado. A situação se complica ainda mais com a aprovação, em maio, de uma medida que autoriza o agente fiduciário a contestar judicialmente um eventual plano de recuperação extrajudicial, dependendo da convocação de uma nova assembleia.
As atas das assembleias indicam que a Oncoclínicas deverá seguir com os trâmites necessários para uma nova convocação dos debenturistas, mas sem um prazo definido, o que pode prolongar a incerteza sobre a situação financeira da empresa. Com uma dívida total de R$ 1,5 bilhão, a 9ª emissão concentra R$ 750 milhões em valor, enquanto a 11ª emissão soma R$ 800 milhões, com vencimentos para abril de 2029.
A Oncoclínicas opera 142 unidades em 49 cidades e conta com mais de 1.700 médicos especializados em oncologia, tendo realizado cerca de 593 mil tratamentos nos últimos anos. A continuidade de suas operações depende agora de uma solução eficaz para suas dificuldades financeiras, o que se torna cada vez mais urgente diante da falta de apoio dos credores nas assembleias.



