A crise geopolítica no Oriente Médio levou o Brasil a buscar novas fontes de fornecimento de fertilizantes, e o Turcomenistão, localizado na Ásia Central, emergiu como um fornecedor significativo. Nos primeiros seis meses deste ano, o Brasil importou 1,3 milhão de toneladas de fertilizante potássico do país, um aumento considerável em relação ao ano anterior, quando praticamente não houve compras desse mercado.
No total, as importações brasileiras de fertilizantes no primeiro semestre somaram 18,3 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 6% em comparação ao mesmo período de 2025. No entanto, o custo dessas importações aumentou, alcançando US$ 7 bilhões, um aumento de 9% em relação ao ano passado.
Com a recente trégua na guerra entre Estados Unidos e Irã, os preços dos insumos, que haviam disparado, começam a se estabilizar. A ureia, por exemplo, que chegou a custar quase US$ 500 por tonelada antes do conflito, viu seu preço dobrar, mas agora está voltando aos níveis anteriores à guerra. O mesmo padrão foi observado com os fertilizantes potássicos e fosfatados.
A dependência do Brasil em relação à importação de fertilizantes tem impactado diretamente os custos dos produtores locais. Nos anos 2000, o país importava 3,1 milhões de toneladas de fertilizantes no primeiro semestre, com uma parte significativa da demanda atendida pela produção interna. Em 2010, esse número subiu para 5,6 milhões de toneladas, atingindo um recorde de 19,4 milhões no primeiro semestre do ano passado.
Esse aumento nas importações está diretamente relacionado à expansão das áreas cultivadas. A área destinada ao cultivo de grãos, que era de 38 milhões de hectares em 2000, aumentou para 84 milhões atualmente. A área de cana-de-açúcar também cresceu, passando de 5,8 milhões de hectares em 2005 para 9,1 milhões. Em contrapartida, a área cultivada com café caiu de 2,2 milhões de hectares no início dos anos 2000 para 1,94 milhão neste ano.
Após perder o título de maior fornecedor de fertilizantes ao Brasil em 2025, a Rússia voltou a liderar as exportações neste primeiro semestre, enviando 3,9 milhões de toneladas. Os chineses, que haviam liderado em 2025, enviaram 3,5 milhões de toneladas. O Canadá e Marrocos completam a lista dos principais fornecedores, com 2,9 milhões e 1,7 milhão de toneladas, respectivamente, seguidos pelo Turcomenistão.
Durante 2025, as importações brasileiras atingiram um recorde de 45,5 milhões de toneladas, com a China fornecendo 12 milhões e a Rússia, 11,1 milhões. O Brasil contou com 57 fornecedores diferentes no primeiro semestre deste ano.
A proximidade das colheitas de soja e milho em Mato Grosso faz com que os produtores priorizem o armazenamento do milho, conforme apontado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Os preços baixos da soja têm desestimulado o armazenamento, uma vez que os custos de armazenamento e os riscos de deterioração do mercado aumentam.




