O pastor Jin Mingri, conhecido como Ezra e líder da Igreja Zion, foi libertado na última sexta-feira (4) após mais de 250 dias sob custódia na China. Sua soltura ocorreu menos de dois meses após o presidente Donald Trump ter abordado o caso diretamente com o líder chinês, Xi Jinping. A libertação foi celebrada por sua filha, Grace Jin Drexel, que expressou sua gratidão pela intervenção do presidente americano e pela oportunidade de reencontrar o pai em Los Angeles, onde ele pôde conhecer seu neto recém-nascido.
Jin foi detido em outubro do ano passado, acusado de “uso ilegal de redes de informação”, após as autoridades chinesas fecharem a sede física de sua igreja em Pequim em 2018. Desde então, ele havia transferido suas atividades para a internet, alcançando um público de cerca de 10 mil pessoas em todo o país. Sua prisão fez parte de uma campanha mais ampla do governo de Xi Jinping contra grupos religiosos, que intensificou o controle sobre organizações não autorizadas.
Durante uma reunião em maio, Trump mencionou o caso de Jin e de Jimmy Lai, um ativista pró-democracia de Hong Kong, ressaltando que Xi havia se comprometido a considerar seriamente a situação do pastor. A libertação de Jin, que ocorreu na véspera do Dia da Independência dos Estados Unidos, foi interpretada como um gesto simbólico, conforme destacou John Kamm, fundador da organização Dui Hua, que defende a libertação de prisioneiros políticos na China.
Apesar da libertação de Jin, sua filha expressou preocupação com outros pastores da Igreja Zion que ainda permanecem detidos. Um deles, Franklin Wang Lin, relatou em uma carta que havia perdido peso significativo e sofria de desnutrição durante a detenção. A situação de Wang e de outros líderes religiosos reflete a contínua repressão às práticas religiosas na China, onde apenas congregações aprovadas pelo Estado podem operar livremente.
Embora a Constituição chinesa garanta a liberdade religiosa, na prática, o Partido Comunista Chinês controla rigidamente as atividades religiosas, levando milhões de cristãos a frequentar igrejas clandestinas. A libertação de Jin é vista como um sinal de esperança para os direitos de fé na China e para as relações entre os Estados Unidos e o país asiático, que têm enfrentado tensões políticas e econômicas nos últimos anos. A expectativa é que essa mudança possa abrir espaço para um diálogo mais construtivo entre as duas nações, especialmente em questões delicadas como a venda de armas para Taiwan, que continua a ser um ponto de discórdia nas relações bilaterais.




