A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (6) a Operação Véu de Maia, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionado à exploração ilegal de apostas de quota fixa no Brasil. A operação mira 87 empresas suspeitas de movimentar recursos para operadores irregulares de apostas e investiga também o possível envio ilegal de dinheiro ao exterior por meio de criptoativos.
Estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão em cidades como Aparecida de Goiânia e Goiânia, em Goiás; São Paulo e Ribeirão Preto, em São Paulo; além de Porto Alegre e Canoas, no Rio Grande do Sul. A ação foi autorizada após investigações que começaram com informações repassadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda.
As 87 empresas investigadas são suspeitas de atuar como interpostas pessoas, ocultando a origem e a movimentação de recursos financeiros de operadores de apostas considerados irregulares. A Polícia Federal também está apurando indícios de remessas ilegais de valores para o exterior utilizando criptoativos.
Os envolvidos podem responder por crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa, além de outros delitos que possam ser identificados durante as investigações. Essa operação é parte do esforço contínuo do governo para combater o mercado ilegal de apostas no país.
Em junho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou o bloqueio de recursos financeiros de empresas de apostas ilegais que atuam no Brasil. Após os procedimentos legais, esses valores poderão ser destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública, reforçando o combate ao crime organizado e à corrupção.
O crescimento das plataformas irregulares foi evidenciado por uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), que revelou que cerca de 40% das apostas em funcionamento no Brasil operam de maneira irregular. Além disso, até 51% das apostas realizadas nesses ambientes apresentam indícios de ilegalidade, incluindo riscos de lavagem de dinheiro, manipulação de resultados e evasão fiscal.
Dados do governo também indicam que mais de 40 mil sites ilegais de apostas foram bloqueados, com cerca de 25 milhões de brasileiros realizando apostas nessas plataformas. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) identificou 350 pessoas ligadas a 37 instituições financeiras que operavam os mais de 40 mil aplicativos e sites ilegais retirados do ar. As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e a extensão da movimentação financeira relacionada ao esquema.




