O Banco Central divulgou nesta quarta-feira (1º) que a inadimplência no crédito consignado para trabalhadores do setor privado aumentou para 7,9% em maio, marcando um crescimento de 0,4 ponto percentual em relação ao mês anterior. Este é o maior índice desde fevereiro de 2025, quando a taxa era de 8%. A elevação na inadimplência ocorre em um contexto em que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a possibilidade de utilizar o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) como garantia para empréstimos no programa Crédito do Trabalhador, uma medida esperada desde a criação do programa no ano passado.
Fernando Rocha, chefe do departamento de Estatísticas do Banco Central, destacou que o aumento de 0,4 ponto percentual na inadimplência em um único mês é “algo significativo”. Ele explicou que esse aumento contribui para o índice geral de dívidas não pagas, que atingiu 7,6% em maio. Rocha acredita que a liberação do FGTS como garantia pode ajudar a reduzir a inadimplência e as taxas de juros no futuro, mas os efeitos dessa medida só serão visíveis com o passar dos meses.
As estatísticas do Banco Central indicam que a taxa média de juros em maio foi de 54,1% ao ano, uma queda de 2 pontos percentuais em relação a abril. Com a utilização das garantias, a taxa máxima de juros foi limitada a 1,99% ao mês no âmbito do programa.
As concessões de crédito consignado privado também apresentaram uma queda em maio, totalizando R$ 7,6 bilhões, em comparação aos R$ 9,9 bilhões de abril. Essa redução é considerada natural, uma vez que março registrou um recorde histórico de concessões, com R$ 10,8 bilhões. Apesar da queda nas concessões, o saldo geral do consignado privado subiu 4,8% em maio, alcançando R$ 109,2 bilhões.
O impacto do programa Desenrola, que visa a renegociação de dívidas, ainda não pode ser avaliado de forma conclusiva. Enquanto algumas linhas de crédito afetadas pelo programa mostraram aumento na inadimplência, outras apresentaram queda. No cartão de crédito rotativo, a inadimplência atingiu 63%, um aumento de 2,4 pontos percentuais em relação a abril. Por outro lado, a inadimplência do cartão de crédito parcelado caiu 0,2 ponto percentual, chegando a 12,5% em maio.
Além disso, o Banco Central observou uma nova queda no consignado do INSS, com R$ 3,7 bilhões ofertados em maio, uma redução de 25,4% em comparação aos R$ 4,9 bilhões de abril. Rocha sugere que essa diminuição pode estar relacionada ao aperto nas regras de concessão de crédito, especialmente após um processo aberto no TCU (Tribunal de Contas da União), que identificou falhas de controle por parte do INSS.



