Post: Divergências marcam debate sobre Política de Proteção ao Produtor Rural na Câmara dos Deputados

Debate na Câmara dos Deputados sobre a Política de Proteção ao Produtor Rural gera opiniões divergentes entre setores.
Divergências marcam debate sobre Política de Proteção ao Produtor Rural na Câmara dos Deputados

Representantes de diversos setores econômicos expressaram opiniões divergentes nesta terça-feira (30) durante a audiência pública sobre o Projeto de Lei 4588/21, que visa instituir a Política Nacional de Proteção ao Produtor Rural. A proposta, que já foi aprovada pela Comissão de Agricultura, encontra-se agora sob análise da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara.

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O consultor jurídico da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Rodrigo Kaufmann, defendeu a proposta, afirmando que ela corrige falhas da legislação atual. “O projeto aborda os interesses econômicos e jurídicos do produtor rural, garantindo direitos como acesso à informação clara e facilitação de crédito”, destacou Kaufmann.

A Associação Brasileira de Produtores de Soja (Aprosoja) também manifestou apoio à iniciativa, ressaltando a importância da atualização das faixas de faturamento para incluir os produtores nas políticas públicas. Marcelo Lara, diretor de agronegócio da Associação Comercial e Empresarial de Santarém (PA), acrescentou que a proposta busca equilibrar as negociações, protegendo os produtores e assegurando seu direito de buscar a Justiça.

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Política Nacional de Proteção ao Produtor Rural (PL nº 4.588, de 2021). Dep. Henderson Pinto (UNIÃO - PA)
Henderson Pinto: foco principal continua sendo proteger o produtor

Por outro lado, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) levantou preocupações significativas sobre o projeto. O presidente da entidade, André Nassar, alertou para o alto endividamento do setor e os possíveis efeitos negativos da proposta, que poderia aumentar a incerteza para os compradores e dificultar investimentos no momento em que os produtores mais necessitam de apoio.

A Abiove apresentou uma lista de 11 pontos críticos, que incluem preocupações com o orçamento federal, interferência na autonomia da Justiça e imposições às Defensorias Públicas. Nassar enfatizou que o projeto poderia enfraquecer contratos e a Cédula de Produto Rural (CPR).

Além disso, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também expressou sua preocupação, destacando que o projeto poderia aumentar o risco de crédito e encarecer os financiamentos, limitando o acesso a recursos financeiros para os produtores. O diretor de produtos da Febraban, Rafael Baldi, fez um alerta sobre as fragilidades que o projeto poderia criar para os credores.

O presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio (IBDA), Renato Buranello, questionou a necessidade de um novo Código de Defesa do Produtor, sugerindo que as normas existentes já são suficientes para proteger os trabalhadores do campo.

O relator do projeto, deputado Henderson Pinto (União-PA), afirmou que seu objetivo é equilibrar as diferentes opiniões apresentadas durante o debate para aprimorar a proposta. “As sugestões recebidas serão fundamentais para melhorar o texto e garantir que o foco principal, que é proteger o produtor, seja mantido”, concluiu Pinto.

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