Post: Alerta máximo em Florianópolis: a rã que ‘muge como boi’ e os riscos ambientais

Florianópolis aciona alerta máximo por causa da rã-touro, espécie invasora que pode ameaçar a fauna nativa.
Alerta máximo em Florianópolis: a rã que 'muge como boi' e os riscos ambientais

Uma rã gigante que emite um som semelhante ao mugido de um boi está causando preocupação em Florianópolis, onde o alerta máximo ambiental foi acionado no bairro Ratones. A rã-touro (Aquarana catesbeiana), uma espécie exótica invasora originária da América do Norte, está sendo monitorada pela Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram) em colaboração com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e órgãos como o Ibama e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Desde 2025, a espécie vem sendo mapeada e monitorada na região, especialmente após o primeiro registro oficial em outubro do ano passado.

A rã-touro é classificada na categoria 1 da Resolução Consema nº 272/2025, que lista as espécies exóticas invasoras sob vigilância no estado. Essa classificação destaca o risco que a rã representa para a fauna nativa em áreas sensíveis, como o manguezal de Ratones. A bióloga Priscilla Tamioso, da Floram, explica que, após o registro inicial, foram realizadas ações de monitoramento e captura, resultando na coleta de 11 indivíduos entre juvenis e adultos em três propriedades do bairro.

O presidente da Floram, Fábio Henrique Machado, enfatiza a importância da detecção precoce para entender a situação e mapear a ocorrência da espécie. Os animais capturados estão sendo analisados no Laboratório de Herpetologia da UFSC, onde são testados para patógenos como o ranavírus e o fungo da quitridiomicose. Embora esses agentes não representem risco à saúde humana ou a animais domésticos, a presença da rã-touro demanda um acompanhamento rigoroso para proteger a fauna local.

A história da rã-touro no Brasil remonta a 1935, quando foi trazida para criação em ranários. Com a desativação de muitos desses empreendimentos, a espécie se espalhou por diversos ambientes naturais do país. Em regiões onde a rã-touro foi introduzida, ela já foi associada à transmissão de doenças que afetam anfíbios e peixes, o que aumenta a preocupação em relação à sua presença em Florianópolis.

O bairro Ratones, que abriga um manguezal e áreas alagadas, é um berçário natural para várias espécies de peixes e crustáceos. A introdução de um predador generalista como a rã-touro, que se alimenta de peixes, anfíbios, répteis e pequenos mamíferos, acende o alerta das equipes técnicas. A Floram destaca que a rã-touro possui uma dieta variada e alta capacidade reprodutiva, aumentando sua competitividade com espécies nativas.

A preocupação não está apenas em indivíduos isolados, mas no potencial da rã-touro se estabelecer como uma população reprodutiva. A fundação alerta que, se a invasão se consolidar, o controle se tornará mais complexo e custoso, dificultando a reversão dos impactos no ecossistema local. Por isso, as instituições estão focadas em ações preventivas em um estágio inicial da invasão.

Para conter o avanço da rã-touro, a Floram e a UFSC estão engajando a comunidade local. O mapeamento da espécie conta com a participação de moradores, escolas e associações, que podem ajudar a identificar e comunicar ocorrências. A vocalização característica da rã-touro, semelhante ao mugido de um boi, é uma ferramenta importante nesse esforço. A Floram orienta que qualquer avistamento ou audição do canto da rã deve ser reportado através de e-mail ou WhatsApp, evitando que pessoas tentem capturar ou eliminar os animais por conta própria.

O plano de ação inclui atividades de educação ambiental voltadas para crianças e jovens, visando aumentar a conscientização sobre a espécie e seu impacto no ecossistema. Novas expedições de campo estão programadas para consolidar o mapeamento e ampliar as análises laboratoriais, com o objetivo de desenvolver estratégias de médio e longo prazo para controlar a rã-touro. A combinação de ciência, monitoramento contínuo e participação comunitária é vista como a chave para evitar que a rã-touro se torne uma ameaça consolidada na fauna catarinense.

Últimas Notícias