O regime da Venezuela anunciou que a partir das 20h desta sexta-feira (21h no horário de Brasília), o acesso ao estado de La Guaira, uma das regiões mais afetadas pelos recentes terremotos, será restrito. A informação foi divulgada pelo ministro do Interior, Diosdado Cabello, conhecido por sua proximidade com o ex-presidente Nicolás Maduro e por sua atuação no aparato repressivo do chavismo. Segundo Cabello, a medida visa priorizar as operações de resgate, atendimento médico e avaliação de riscos na área devastada.
O ministro destacou que a decisão foi tomada em resposta a pedidos de moradores de La Guaira, com o intuito de evitar que o fluxo de pessoas atrapalhe o trabalho das equipes de salvamento. Ele também informou que voluntários interessados em ajudar precisarão se registrar em Caracas antes de se deslocar para a região afetada. Os motoqueiros que têm transportado suprimentos diariamente também deverão se cadastrar, recebendo coletes de identificação e designações específicas para suas funções.
Contudo, essa abordagem contrasta com relatos de moradores e da mídia internacional, que indicam que, logo após os tremores, a maior parte do apoio foi providenciado pela população civil, devido à escassez de equipes qualificadas para lidar com a magnitude do desastre. A ONU estima que mais de 50 mil pessoas estejam desaparecidas, enquanto o regime informou que há pelo menos 920 mortos e 4.300 feridos. La Guaira foi oficialmente declarada como zona de desastre.
Na mesma data, Delcy Rodríguez, vice-presidente do país, foi vaiada durante uma visita a um bairro devastado em Caracas. Moradores, insatisfeitos com a falta de ação do governo, gritaram que “o governo não está fazendo nada pelo povo”, enquanto ela tentava se aproximar da comunidade. Essa reação pública reflete a crescente frustração da população diante da resposta governamental à crise humanitária desencadeada pelos terremotos e pela situação econômica do país, que já enfrentava desafios significativos antes do desastre.
A situação em La Guaira e a reação da população em Caracas destacam a complexidade do momento atual na Venezuela, onde a necessidade de ajuda humanitária se torna cada vez mais urgente, e a confiança no governo continua a se deteriorar.




