Post: Terremotos devastam Caracas em meio a crise econômica

venezuela - Terremotos em Caracas expõem vulnerabilidades estruturais em meio à crise econômica, com 235 mortos confirmados e riscos de mais vítimas.
Terremotos devastam Caracas em meio a crise econômica

Um dos maiores terremotos a atingir Caracas em mais de um século deixou a capital venezuelana em estado de calamidade, evidenciando a vulnerabilidade das construções locais, que já enfrentavam sérios problemas devido à crise econômica que assola o país há mais de uma década. Até a noite desta quinta-feira (25), as autoridades confirmaram 235 mortes, e a expectativa é que esse número aumente, com o Serviço Geológico dos Estados Unidos estimando entre 10 mil e 100 mil óbitos possíveis, considerando a precariedade das estruturas na região afetada.

Os tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram em um cenário onde a maioria da população vive em edificações vulneráveis, como alvenaria de tijolos sem reforço e blocos de adobe. A situação é agravada pela falta de infraestrutura e serviços básicos, como energia elétrica, que dificultam as operações de resgate e a assistência às vítimas.

Dados da Pesquisa Nacional de Condições de Vida (Encovi), realizada pela Universidade Católica Andrés Bello, revelam que 55% dos venezuelanos vivem em condições de pobreza multidimensional. Em 2016, um programa social do governo estimou que cerca de 60% da população da capital residia em favelas, onde as condições habitacionais são ainda mais precárias.

Estudos anteriores já alertavam sobre os riscos que a fragilidade das construções representa em caso de um terremoto. Um levantamento de 2014 indicou que, em um evento sísmico de magnitude moderada a grande, poderia haver um número alarmante de mortos, com cerca de 20 mil pessoas em risco, dado que apenas 40% da população das áreas analisadas vivia em edifícios formais.

Valentina Páez Hernández, especialista em engenharia sísmica, destaca que cerca de 80% dos edifícios em Caracas são anteriores à norma de construção resistente a terremotos, estabelecida em 1982. A falta de manutenção e a deterioração das estruturas ao longo dos anos aumentam a vulnerabilidade da cidade a desastres naturais, tornando a população ainda mais exposta a tragédias como a que se desenrola atualmente.

O impacto do terremoto não se limita apenas ao número de vítimas. A crise econômica, que já havia causado um colapso nos serviços públicos e na infraestrutura, agora se agrava com a necessidade de assistência emergencial e reconstrução. As autoridades enfrentam um desafio monumental para lidar com a situação, enquanto a população clama por ajuda e soluções para suas condições de vida precárias. Com a continuidade dos tremores e a instabilidade da região, a preocupação com novos desastres se torna ainda mais urgente.

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