Governadores e representantes do setor produtivo do Sul e Mato Grosso do Sul manifestaram forte oposição à proposta do governo federal de dividir a Malha Sul, uma importante rede ferroviária que abrange 4,2 mil quilômetros de trilhos. A divisão, que pretende criar três corredores logísticos distintos – Paraná-Santa Catarina, Rio Grande e Mercosul – é vista como uma ameaça à competitividade da região, que contribui com 18,3% do PIB brasileiro. O plano do governo inclui um investimento inicial de R$ 14,4 bilhões, além de R$ 38,6 bilhões para operação e manutenção ao longo de 30 anos. No entanto, os governadores e as federações de indústrias e agricultura afirmam que não foram consultados adequadamente nas decisões que envolvem essa reestruturação. Eles argumentam que a fragmentação da Malha Sul comprometerá a eficiência logística, aumentando custos e prejudicando a competitividade das empresas locais no cenário global. No Paraná, as críticas são direcionadas ao traçado urbano do projeto da ANTT, que não contempla contornos ferroviários. Isso significa que trens de carga pesada continuarão a passar pelo centro de Curitiba e áreas adjacentes até 2057, o que gera conflitos de trânsito, riscos à segurança e impactos negativos na qualidade de vida dos moradores. Além disso, há um apelo para que as operações sejam unificadas com a Ferroeste, visando uma melhor integração. O Ministério Público Federal (MPF) também se manifestou, alertando o Ministério dos Transportes sobre os riscos da fragmentação da malha. O MPF enfatiza que licitar a maior ferrovia do país de forma desintegrada pode priorizar soluções regionais imediatas, mas compromete a capacidade de longo prazo do sistema ferroviário nacional. Em resposta às preocupações levantadas, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) abriu uma consulta pública que se estenderá até 10 de agosto de 2026, permitindo que a sociedade apresente sugestões. Audiências presenciais também estão programadas para ocorrer em Brasília, Curitiba, Porto Alegre e Florianópolis durante o mês de julho. Diante de todos esses impasses e atrasos nas análises, a expectativa é que o leilão da Malha Sul ocorra apenas em 2027.




